terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bichinho de pelúcia

Ele nunca entendera
esses casais
que ao término da relação,
destrocam os presentes.

Mas, um dia,
ao visitar a casa
do ex-amor,
descobriu,
na área de serviço,
em meio a um monte de entulhos,
o ursinho de pelúcia
que ele lhe dera quando namoravam.

Num impulso,
guardou o bichinho na mochila.

Pegar o presente de volta
não era sintoma de que
desejasse o passado
de volta,
visto ser essa uma ideia sem futuro.

Salvar do abandono
o ursinho de pelúcia
era salvar um sentimento sem nome:
nostalgia,
esperança
e pena?

Ou ao querer ficar com
o bichinho,
tinha ele, talvez,
a mesma motivação
do especialista
ao eleger as peças
que merecem
morar no museu?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A que ponto chegamos

A que ponto chegamos
no caminho entre a teoria
e a prática
a vida deixou sem base
nossa retórica

a que ponto chegamos
mudamos o rumo
sem pular de fase
e ainda há muitas vírgulas
querendo um lugar na frase

e de alguns pontos
sequer passamos

sobre a morte ainda se fazem teses
e no fim,
o mesmo ponto
de interrogação

a algum ponto chegamos
e toda vez que deliramos,
pensando ser o ponto final,
recobramos a consciência
para ver que ainda faltam
dois para se completar a reticência

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu te...

Estou louco para dizer
mas talvez não diga

Meus pés querem ir
minhas mãos querem tocar
minha pele quer sentir
o coração segue na frente
mostrando caminhos
mas não ensina a chegar
e nem aceita voltar

Eu quero ir
a frase está prestes a sair
e está entre o sopro suave
e o grave explodir

Eu quero falar
mas talvez não diga
Estou pronto pra ir
(pronto?)
mas talvez não siga

domingo, 23 de outubro de 2011

Chuva na mão

A chuva
cai
como uma luva
ao cair da tarde
ao adormecer das tensões
e alardes

A chuva serve
para malhar o verde
Quem não pode ver
talvez escute

quem não pode vir
se eu quiser
a chuva traz

E quando a chuva
está
cheiros se levantam
poeiras baixam

Quando a chuva
vai
eu fico aqui
a mastigar luas
a fustigar estrelas
a investigar silêncios

domingo, 31 de julho de 2011

Um caso de cor

Morou numa casa
com paredes cor de laranja

Nos sonhos, o céu mudava
de cor
era de acordo
com a história que
os olhos resumiam

Tinha uma coisa
com a cor negra,
gostava de preencher
o olhar
com alguém de pele escura

queria ter (e tinha!)
um caso
com a cor negra!

sábado, 23 de julho de 2011

Breu

Esse breu sou eu
porque quando escurece
é aí que tudo se esclarece
em mim

é um escuro
que não tem nada a ver
com falta de luz
mas com a luz negra
que vem da África

Esse breu sou eu
nessa escuridão
eu me reconheço

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Medo de que?

Medo da morte?
Tome aqui esse trevo da sorte.

Medo da vida?
Tome esse cálice.

Medo do azar?
preencha logo esse
cartão de loteria.

Tem um modo de pensar?
Desmonte as peças,
comece tudo de novo.

Medo do silêncio?
Não diga nada.
Se quiser, não siga,
não pare.
Se o bicho pegar,
dispare.

domingo, 3 de julho de 2011

Cabelos brancos

Cabelos brancos
no rosto bronco

de quem já não tem tanta paciência

um fio curto

agarrado no brinco



cabelos brancos

no sorriso amarelo

da vida quase indo



cabelos brancos

quase sorrindo

na memória da avó

que soltava os dela

e virava a louca na sala

na rua

e ficava rouca

de dizer as frases

truncadas pela cabeça cansada



cabelos brancos

do homem preto

a descansar os ombros

do peso de ter de renascer

todo dia



um fio longo de cabelo branco

no prato

um fio longo

no retrato

a tecer

um caráter reto

feito num sinuoso caminho



Os cabelos brancos

brotam em mim desde

os vinte e poucos



hoje,

já são muitos

cabelos brancos



têm algo de triste

mas são bonitos

cabelos brancos

parecem ser a

nossa primeira vestimenta

para entrar no outro mundo.




terça-feira, 14 de junho de 2011

Dor de cor

Eu sei de cor
essa cor

ela tem som
de lamentos

tem dons
diversos
rende prosa
e verso

Inspira
talentos
transpira
tristeza
mas respira
justiça
e esperança

É uma cor
que sua

e tinge
minha alma
de uma luz
que eu não tinha

Conheço a geografia
dessa dor histórica

Mas também
Sei do prazer
de sentir
pulsar as veias

ao me ver
vestido por
esse tom de pele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A fruta proibida

A maçã
perdeu o posto
de fruta proibida.

Culpa
da sua nudez
sem graça
da carne
sem mucosas
a se oferecer
a mordidas
sem caldo
escorrendo
pelos braços

A fruta
proibida
objeto
dos desejos
de Adão e Eva
e dos caprichos
da serpente
agora e sempre
é o caqui

com sua roupa
sensual,
sua polpa
suculenta,
quase uma boca
molhada
a sussurar:
- coma-me!

Foi o pedagogo
Rubem Alves
quem descobriu
as insinuações
pecaminosas
do caqui

e colocou
mais tentatação
no Jardim do Éden

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os pontos

Estou triste
estou traste
morri cedo
já é tarde
e eu nem sei

Eu vou certo
de que estou
no caminho
de ser
quem eu sempre
soube que seria

Eu vou longe
ao pensar
num jeito
de subir ao
décimo andar
da memória
sem ter a vontade
de me atirar
e fazer mais
rápido a cena
da queda

mas não
há mais
escada
nem retorno
possível
ao ponto de partida
todas as pontes
eram só de ida

não sobrou nem
mais interrogação
todos os pontos,
agora,
são reticências...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Alívio imediato

Extrair, não.
Distrair a paixão (ardente),
Dor de dente,
Para ela se esquecer de doer.

Preço e prazo

Uns tinham pressa
De ser feliz

Outros sabiam
Onde ficava a praça
Às vezes, isso basta

Aos domingos,
Dava pra ser feliz ali

Outros tinham prosa
E poesia
Ora usavam uma
Ora escreviam outra
E recitavam alguma

Angústias existenciais
Se desfaziam no meio
das frases e dos versos

Era possível perceber
Um arzinho de felicidade
Na brisa de rimas fáceis
e nas estrofes sem inspiração

O momento de ser
Feliz era fácil perceber
E nem carecia
controle
De qualidade

Mas, riso fácil e
Alegria em estado
Bruto e rico
Tinham prazo de validade

Por isso, a necessidade:
Aproveitar
Cada segundo
Das paixões
À primeira vista

19/2/2011 e 19/3/2011

Elegia do velho

As velhas casas
Velhas mulheres
os homens de idade
nos ensinam coisas novas

Os velhos tempos
Velhos espaços
Os estilhaços
De um vidro que não se
Fabrica mais

Os velhos templos
As velhas e novas crenças

Os velhos alegres
que se fingem de bobos da corte
só pra ver os jovens sorrirem

os velhos sem sorte
e sem sorrisos

Mas, até os velhos tristes
são bons de papo
e revelam segredos
De vida e morte

Os velhos amados
E até os abandonados
Sabem ensinar coisas novas.

19/2/2011 e 19/3/2011

O samba e o morro

Viver
A gente aprende na marra

Não é só escapar da morte
Nem viver pedindo socorro

Sambar
Só se aprende no morro

Não basta ensaiar o passo
Só é bom de samba
Quem já não precisa mais
De esforço

O corpo vai sozinho
Coração na marcação
E ali já está a alma
Bem na frente da comissão

Sambar bem
a gente aprende no morro

Sobreviver sem quase nada
E entrar na vida com tudo
É lição que vem do morro

E só quem sobe e desce
E sobe de novo
Entende o jeito do povo
De não deixar o samba morrer

Quem desce e sobe
E desce de novo
Já sabe subir sozinho
Já sabe sambar sozinho

Mas toda vez que for sambar
Vai querer subir a ladeira
Pois o melhor sambista
A vida mais companheira
Está lá na cidade alta

Quem sobe e desce
E sobe de novo
Já se encantou pela beleza do povo
Pode até descer
Mas já sabe amar o morro

6/2/2011

Velocidades

É preciso morrer outras vezes
E viver no mesmo corpo
Com outras vozes

E correr contra o espaço
E parar somente quando o tempo
Abrir os braços

E medir a qualidade da fala
Pelo gosto da saliva

Existir suavemente
Sem pressa

Mas, até sair em disparada
Quando encontrar uma perna de vento

6/2 e 4/3/2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Gente feita de ar, sol, lua, terra e água

Quem é de sol
viaja
na luz laranja
do horizonte

ou no ofuscante
holofote da memória

quem é de fogo
brilha,
chama
e esquenta

e entende a linguagem
da fumaça que vem
de qualquer tribo

quem é de lua
a gente tem de adivinhar
o dia de estar tudo bem

quem é de ar
voa mil léguas
quem é de mar
anda nas águas

dispensa a paz das tréguas
mas sempre acha
que é cedo
para encarar a paz eterna

quem é de terra
sabe onde os túneis vão dar
e suga o bem pela raiz

quem voa pelo mundo
conhece os campos de pouso
decola pra ir de flor em flor
adivinha quando
alguém vai embora
e compreende as voltas
que todo mundo dá

quem é de agora
vai se dar conta
num lugar tal
num tempo natural
de aprender a não ter pressa

Oportunismos

Quando o sol
mergulha,

o tarde ferve

e o mar serve
um copo de sonrisal
para brindar a noite

Quando a lua
bate nos olhos,

uma estrela
pousa
no céu do seu rosto

quando a chuva
vem mansa,

chamo minha filha
e a gente dança na rua

tive essa ideia
ao ver um dia
o vento assoviar
para a árvore
e tirar uma folha pra bailar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fui

Fui lá fora
olhar as nuvens

Elas ainda
estavam

Fui às fotos
olhar os
jovens

éramos
vários retratos
num só

fui aos fatos
procurar
sentido

fui aos
sentidos
procurar encontros

domingo, 16 de janeiro de 2011

Papéis de registros

O diário
não conta a história
do dia inteiro

O sonho
não é a imagem
completa
da noite

no por-do-sol,
cabe sim
toda a tarde
com seus suspiros,
cansaços
e descanso

A agenda
marca a hora
para respirar fundo

para me dar conta
do raso
do riso
das quedas de humor
das revoltas do mar
das reviravoltas
do que ainda vem
e do que não adianta
mais esperar

sábado, 15 de janeiro de 2011

O caminho na pedra

No meio da pedra
havia um caminho

brotava um rio
de dentro da pedra

por fora da pedra
havia um risco
quase um desenho

e traços
feitos pela água
nas costas da pedra

figuras trabalhadas
em milhões de anos
pela paciência da água

a pedra
era a mãe do rio
e tinha uma beleza
filha do esmero
do fio d'água

no peito da pedra
havia um corte,
ferimento feito por um raio
disparado à queima-roupa

um dia
o poeta achou
a pedra
no meio do caminho

a pedra
o rio
o caminho
o raio
o traço
o corte
o desenho
a poesia

tudo
é risco

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Água doida

Estou
nordeste
de sede

mas
suporto
bem o calor

nem me
queimo
na chama trêmula
de ultrapassadas ideias

é apenas uma
vela esquecida
não é fogo grande

não me
afogo
nesse jogo

porque
não é um
vale de lágrimas

é só um
córrego
formado
pelo leite derramado

meu coração
às vezes
sabe de tudo

noutras vezes
nada

nada
e ele sim

morre afogado
num copo
d'água

ao lado da dentadura
da velha paixão caduca

estou um deserto
de ideias

mas nada que impeça
o esboço
de uma poesia maluca.

Democrata/GV no Rio

O Democrata fez, hoje,
o segundo amistoso
no Rio de Janeiro.

Perdeu de 4 a 3
do Madureira.

Mas, hoje,
a Pantera jogou
com a escalação
de jogadores reservas.

Chegou a estar
à frente no placar:
2 a 1.

Mas, ainda
no primeiro tempo,
tomou a virada.

No segundo tempo,
empatou o jogo.

Mas, já no finzinho,
tomou o quarto gol.

Laio,
Glaydson
e Amílton
fizeram os gols do Democrata.

Domingo, o
último amistoso
no Ri0:

no Engenhão,
contra o Botafogo.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Rio e BH

O Democrata de Governador Valadares
foi para o Rio de Janeiro.

Vai fazer amistosos
com o Fluminense,
campeão brasileiro,
com o Madureira
e com o Botafogo,
o atual parceiro.

O América de Teófilo Otoni
foi para BH.
Faz parte da pré-temporada
na Toca da Raposa 1.

Dois times do interior
de Minas sentindo o gostinho
de treinar
onde treinam os grandes,
de usar uma estrutura
ainda distante
da realidade de
um futebol feito
ainda na base do
esforço individual
de pessoas que não
querem deixar a tradição
morrer.

Tanto em Governador Valadares,
como em Teófilo Otoni,
é assim.
A cada ano,
fica a expectativa:
será que Democrata e
América vão ter recursos
para disputar o campeonato.

E o segundo semestre?
Vão fechar o departamento
profissional
ou vão colocar o time
em alguma competição?

Por enquanto,
a única resposta
que temos
é esta:

Democrata e América
de Teófilo Otoni
começaram muito bem
o ano.

Que seja eterno
enquanto dure.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Democrata/GV e América de Teófilo Otoni

Governador Valadares e Teófilo Otoni.
Duas cidades e algo em comum:
a paixão pelo futebol.

Aos domingos,
às 10h da manhã,
o Estádio Nassri Mattar
costuma ser uma festa só:
faça chuva
ou faça sol,
lá está a animada torcida
alvi-rubra
a empurrar o dragão
para cima dos adversários.

Aos domingos,
às quartas,
ou às segundas,
como vai voltar a ser,
em 2011,
as noites no Mammoud Abbas
também são barulhentas.

Das arquibancadas
metálicas
vem um batuque marcado,
vem um coral bem ensaiado:
é a torcida Pantera-cor-de-raça.
Um grito que emociona
e arrebata.

No dia 31 de janeiro,
Democrata e América
se encontram no Mammoud Abbas.

As duas equipes
estão fazendo a pré-temporada.

Na sexta-feira, o Democrata
goleou o Fluminense de Cuparaque
por 9 X 0.

O América também fez
amistoso.
Ganhou por 2 X 0.
O jogo treino foi na
Toca da Raposa 1.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vinho tinto

Preciso beber vinho
não exatamente
para ficar tonto

prefiro ficar tinto

um estado de embriaguês
em que não se perde
o passo
nem se esquece o endereço

não se perde a razão
nem se esquece a paixão

Aliás,
quando fico tinto,
revivo todas as paixões

tenho até medo
de umas e outras
pensem que as
autorizei renascer

quando estou tinto,
não tenho medo de falar
porque nesse caso,
quem fala não é boca
nem cérebro

quando me deixo
ficar tinto,
dou leves risadas
ao ver meu coração
mergulhado no cálice

ou num copo no boteco
da esquina

não há problema se o vinho é
barato
ou vinho branco

o que importa
é que me deixe tinto.

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.