terça-feira, 13 de outubro de 2009

Recepcionista

A esperança
ganhou um
emprego
de recepcionista
de amores

Um amor
veio
não disse bom dia

tomou água gelada
comeu
biscoito de água e sal

e saiu tal qual
entrou

sem dizer a que veio

a esperança
recepcionista
se decepcionou

mas não se desesperou

no dia seguinte,
voltou ao trabalho
e outro amor chegou

Sala de espera

O amor
está ali
na sala de espera

no limite
do prazo
entre o será
e o já foi

eu não sei
se devo
receber
essa coisa
tão paciente
quanto surpreendente

não sei
se compro
essa ideia

se pago
se pego
se levo

não sei
se peso
na balança

ou
se desprezo
os riscos

não sei
se devo

o amor
está assim
em compasso
de espera

na linha tênue
do tempo
entre o vai ser
e o já era

eu fora
de mim

pra ser bom
anfitrião
tenho de expulsar
o medo
botar a razão
pra fora

e servir
um vinho
envelhecido
entre as tensas
paredes
do coração

domingo, 4 de outubro de 2009

Embarque

Sabe esse rio?
Dizem que ele desce

É só subir
o rio
que dos males
se esquece

Basta
avistar o rio
e se encontrou o vale

Mas, todo
rio,
dizem,

nasce
tão longe
na serra

da pedra
sai um fio
d'água

e de repente
um córrego
um filho
da mãe d'água

e morre
o rio
ainda jovem
no porto
onde se faz
o parto
de todos os
mares

mas todo rio
o rio inteiro
qualquer rio
verdadeiro

é um homem
esperto
sempre a fugir
do mundo ruim
para disfarçadamente
se esconder
no oceano
e se fingir de mar morto

E na velhice,
o rio é Doce
o peixe disse
que o Rio Velho
é um espelho

é vermelho depois
do meio-dia

e à tarde
espalha
paz
que a gente pesca
pensando ser
melancolia

é o peixe
que o rio vende

o rio leva
a água
lava a égua
e engana
a quem está
crente que ele chora

gosto de lágrima
quem tem é o mar

já o rio
ri da gente
engana
se faz
de tonto
santo
e louco

o rio
encanoa
a gente

Apito final

Ele esperava
uma virada
no jogo

mas levou
uma goleada

e ficou em
estado de
partida:

a qualquer
momento
ele iria

mas de
repente

não conseguiu
evitar uma risada

ele riu

e não viu
mais nada

sábado, 3 de outubro de 2009

O traço e o risco

Traçar detalhadamente
os planos

para que nada
dê errado

riscar do mapa
todos os enganos

e perder
a emoção
de correr o risco

e viver
sob a ameaça
de encontrar
a fórmula

e ver
as coisas
aos poucos
perdendo
a graça

Apertar os cintos

Apertem
o que sentem

o coração
sumiu

Não falem
agora

o silêncio
pediu

mais um minuto
de barulho
interior

dá tempo ainda
de revirar a casa

e encontrar
o cinto de segurança

que nesse caso,
não passa
de um sentimento
de esperança

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aprendiz de letras e números

Se for provocado,
pode morder

se for convocado,
quer jogar
suar a camisa
e reger a multidão

se estiver machucado,
vai sarar

depois de
assimilar a dor
e adotar a ferida

foi reprovado por zerar
a redação

remanejado
para outra
repartição

por ter falado
do mais
e do menos

como simples
operações

descobriu
que viver
não é matemática

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.