sábado, 14 de novembro de 2015

Uma flor-peixe na lama

Um mar de lama invadiu o rio.
Um rio de lama invadiu os peixes.
Peixes cheios de lama invadiram
imagens e fotos,
viraram fósseis
e sem força, não prosseguiram a viagem
com o rio de lama,
que invadiu o oceano.

E o ser humano,
setenta por cento água no corpo,
ficou com os dias secos,
enquanto nasciam córregos
nos olhos.

E agora?
Como vou irrigar o peito?
Só há um jeito:
é eu me tornar
cem por cento rio.

Fazer do barro
uma estância.
E ver brotar no meio da lama
de morte,
o resultado de um enxerto estranho:
meio flor, meio peixe.

E debaixo do sol quente,
no coração trincado,
vai correr um fiozinho:
meio sangue, meio esperança enlamaçada.
Que no fim, vai virar água:
fria, doce, tratada.

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Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.