Certamente, Édson Gualberto, fundador, sócio e diretor-presidente da TV Leste, em Governador Valadares, conhecia essa história. E não sei se inspirado pelo posicionamento de Roberto Marinho, assumiu uma postura parecida.
Corria o ano 2000, com eleições municipais, sempre muito disputadas na cidade. Édson era candidato a vice-prefeito. Pelos corredores da emissora de TV, circulava o boato de que o dono da empresa estava chateado por saber que muitos dos funcionários dele estavam aptos a votar em candidatos da esquerda, opositores da chapa em que ele era candidato a vice. Os comentários davam conta, até, de que Édson já havia elaborado uma lista de funcionários que seriam demitidos. Em meio a esse clima de tensão e medo de uma demissão em massa, os de esquerda evitavam encontrar o patrão, para quem sabe, ser esquecidos nessa tal lista.
Eis que um dia, já na antevéspera da eleição e com as pesquisas apontando a derrota da chapa do patrão, ele encontra, no corredor, com um dos candidatos à demissão. E já solta logo o torpedo:
- Você não me engana, meu filho! Você é vermelho, não é?
Assustado, mas com presença de espírito, o funcionário devolve rapidamente, no reflexo, sem tempo de elaborar uma resposta mais segura:
- Sim, sr. Édson! Sou tão vermelho, que chego a ser roxo!
Desta vez, quem fica atordoado com a resposta é ele, o patrão, tão temido, até poucos segundos atrás. Talvez, pego de surpresa pela resposta do jornalista, ele encerrou assim aquele encontro no corredor:
- Vai trabalhar, meu filho!
Acabou a eleição, Édson e o candidato dele perderam e não saiu a lista de demitidos da emissora de TV. Todos permaneceram empregados: os da direita e os da esquerda. Para muitos, ficou clara a mensagem dele: "dos meus comunistas, cuido eu"!

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