Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
sábado, 22 de agosto de 2026
Ensaios para uma senha
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Vai, idade!
Vai, idade!
Único jeito matemático de me
definir
Vai, idade!
Durante o ano inteiro,
eu em ti me vi
Vai, idade!
De ti não tenho como
desviar
E quanto mais
te tenho
menos gostaria
de ter
Foste a minha festa,
o bolo, o presente, o abraço
a alegria da maioridade,
e agora, quer se vestir
da ilusão da melhor idade
Vai, idade!
Diante do espelho,
quanto mais
te vejo em mim,
menos gostaria de ver
Vai, idade!
Já que estás à espreita,
rondando o meu futuro,
que pelo menos não tenha
pressa
de roubar minha memória
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
O poema virou fumaça
Versos me arrepiaram
os cabelos,
reverberaram nas
paredes da memória
e esvoaçaram gritando
nas cavernas da imaginação
Mas antes de pousar
na folha do papel,
foram embora com o vento
Eram versos,
mas não queriam
ser escritos,
nem ser lidos
Quem sabe,
experimentados
apenas,
como um trago,
uma porção,
um gole
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
À luz do só
E se o caos
levar ao cais?
E se depois do mar
revolto,
a vida ficar sã?
Pode ser que
a noite em claro
não tenha sido vã
O caos, esse
meu lugar comum,
não pariu estrela alguma
mas também
desgosto
trouxe nenhum
Um tumulto interno
para anular a tentação
do atalho
que tudo adia
legitimou a tese
de que quem
ainda que não ame
ou não seja amado
também não odeia
Seria um passo
pra não ser odiado?
O caos não pariu
estrela alguma
mas gerou uma
improvável paz
não resolveu
teorema,
mas afastou
qualquer tipo de algema
e tudo de ruim que há
no mundo derreteu
de uma vez
ao calor do sol,
à luz do só
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Eis que ser
Eis que ser
é o que há
para dar
cor ao tempo,
viver o tempo
da dor
e deixar
a dor passar
Eis que ser
é o que há,
ter o que viver,
estar pronto para
o riso e o chorar,
pra dar um fim
a quase tudo
e do nada
recomeçar
Eis que ser
é o que há
sábado, 18 de julho de 2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Picolé Joia
Caixa de isopor,
friozinho no palito,
feito de gelo e sabor
- Ah ê o picolé!
Ecoa pelas ruas
o grito do vendedor:
É joia vender,
obrigatório comprar
A memória
não derreteu
o doce
que tem cheiro
do sol quente
calor e frescor,
tudo ao mesmo tempo,
são dessa lembrança
os ingredientes
terça-feira, 14 de julho de 2026
O baile das redundanças II
Na escuridão,
moram luzes;
no largo riso,
ou no choro raso,
sentimentos profundos;
em alguns fins,
recomeçam mundos;
há minutos que
nunca acabam
e uma vida inteira
que passa em segundos
Águas conjugadas
Eu rio
tu nuvens
de repente,
a chuva
te traz
e eu te levo,
pra passear
na foz,
e ver
o mar
que a gente
faz
Leio em minski
Leio em mim e esquivo
de ler o que em mim escrevo
Vou ler em mim
o que comigo me pareço
Não tá escrito
o tanto que de mim me esqueço
E sempre que acontece,
eu me faço de livro aberto
E antes que o tempo feche
eu me feio em lindo
e me leio em minski
Guimarães
O perfume do Rosa
se espalha nos gerais
e nas veredas
Do alto do buriti,
Manuelzin-da-croa
grita assim:
nesse rio,
nessa canoa,
cabe o
ser tão
Riobaldo
quanto Diadorim
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Novos mundos e modos
Não veio o fim do mundo
e sem o dia tão temido,
foi em vão todo o medo
E agora, eu aqui,
sem saber o que fazer
com essa inesperada
coragem
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Sobre pesos e penas
Antes fosse o peso da pena
apenas o fardo
de sustentar com o ombro
a asa
antes do começo do voo
Antes durasse o peso
da pena
apenas o tempo
que a pena leva para
rabiscar uma palavra
Em que pesem
a liberdade e
o risco de errar,
antes fosse leve todo erro
e qualquer erro valesse
o peso da pena
e a pena, ao ser paga,
apagasse o peso do erro
quarta-feira, 1 de abril de 2026
O baile das redundanças I
A chuva passa
rente ao clarão
da luz do poste
E pensar
que essa fonte luminosa
começou a ser acesa
da dança que veio da aldeia
Em algum canto
da cidade,
num porão
ou quintal
em noite sem luz
pirilampos iluminam
a aranha na construção
da teia.
Peraê,
que o redemoinho
trouxe o saci
e a centopeia
se ofereceu
para dançar com
o pererê
Pelo grande salão
da floresta,
as garças que voam
em triângulo,
os pés-de-valsa
e as libélulas
A coruja,
é da noite a espiã.
Estrelas com asas,
esses pirilampos!
No desagravo
que os bichos,
se pudessem fariam,
a coruja,
de espiã
da floresta
passaria a guardiã
Um drama
se enroscou nas pernas
dos dançantes
de um tango argentino
Um samba
evocou
um passado
e exorcizou um medo
Tramas, lendas,
biografias e contendas
contadas
na letra de um samba-enredo
Dois passos pra lá
e dois pra cá
Contar até três
e se deixar levar
Parar somente
para o almoço
porque vai ter baião
de dois
Se chover,
à noite,
qualquer luz
na cidade
vira fonte luminosa
com a água
que desce
E depois da
dança da chuva,
o girassol floresce
Vai nascer
um passarinho
pra atravessar o fundo
Talvez nasçam uns dois
ou três
E por isso,
agora,
dancemos todos
em volta do ovo indez
Rota para percorrer
Rumo pra não se perder
Com esse vento
eu me misturo
quero saber onde o
mistério chama de
meu lugar
O medo de voar
nos tira
a alegria do pouso
porque quem
voa sonha
Ah, os pirilampos!
São estrelas com asas
sexta-feira, 13 de março de 2026
Sem direito a ser covarde
Para valer o escrito,
qualquer poema,
ao deslizar na folha,
conduzido pelos dedos
do escritor,
tem que deixar no papel
um rastro de sujeira
Necessária,
pois essa obsessão
do poeta pela catarse
de fazer verso lavar alma
tira dele o direito
de lavar as mãos
quinta-feira, 12 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
A meta do verso
Aí está o escritor
em busca da meta:
encontrar o verso
soft e esticado,
tão soft ao ponto
de flutuar ao vento
tão esticado
ao ponto de abrigar
os caprichos do estilo
e divagações do pensamento.
Revisão das cidades
Quem inventou a calçada
não imaginou
raízes fincadas no chão
para sustentar a sombra em dias de muito sol
Quem esticou fios elétricos
sobre as ruas
não planejou galhos e folhas
dando proteção
Falha de projeto,
erro de previsão
Descombinado
O corpo não combina com o rosto
e ao contemplar o todo,
o olhar se perde no resto.
O título não tem nada a ver com o texto;
e a textura não corresponde ao gosto;
nem a fruta
é igual às outras do cesto.
Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.