sexta-feira, 13 de março de 2026

Sem direito a ser covarde

Para valer o escrito,

qualquer poema,

ao deslizar na folha,

conduzido pelos dedos

do escritor,

tem que deixar no papel

um rastro de sujeira


Necessária,

pois essa obsessão

do poeta pela catarse

de fazer verso lavar alma

tira dele o direito

de lavar as mãos

quinta-feira, 12 de março de 2026

Olho vivo

Tudo ficou mais claro

quando a noite escureceu;

é que na esquina, um fato raro,

meu olhar cruzou com o seu.

Doação

- Dá-me tua mão!

- Aqui estou, vou contigo até o fim. E te dou até um rim. 


- Dá-me o teu coração?

- Toma, tá na mão. 









quarta-feira, 4 de março de 2026

A meta do verso

Aí está o escritor

em busca da meta:

encontrar o verso

soft e esticado,

 

tão soft ao ponto 

de flutuar ao vento


tão esticado

ao ponto de abrigar

os caprichos do estilo

e divagações do pensamento.



Revisão das cidades

Quem inventou a calçada

não imaginou 

raízes fincadas na terra

para sustentar a sombra 


Quem esticou fios elétricos

sobre as ruas

não planejou galhos e folhas

dando proteção


Falha de projeto,

erro de previsão

Falta-me o teto,

foge-me o chão

Descombinado

O corpo não combina com o rosto

e ao contemplar o todo,

o olhar se perde no resto.


O título não tem nada a ver com o texto;

e a textura não corresponde ao gosto;


nem a fruta

é igual às outras do cesto.

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.