Luminosa fonte
faz a chuva que passa
rente ao clarão
da luz do poste
A dança
da chuva
dos indígenas,
traduzida
no redemoinho
que traz o saci-pererê
no que faz o saci
Mil pernas
para este baile,
sob a lança
de um único olhar
A coruja,
da noite espiã.
A coruja,
da floresta,
guardiã.
Burburinhos
na mata,
observada de longe
pela coruja guardiã
Estrelas com asas,
esses pirilampos
No desagravo
que os bichos se pudessem fariam,
a coruja,
de espiã,
da floresta, é guardiã
Os pirilampos
são estrelas com asas
Corujas
esquadrinham todos
os passos
Um drama
se enroscou nas pernas
dos dançantes
de um tango argentino
Um samba
evocou
um passado
e exorcizou um medo
Tramas, lendas,
biografias e contendas
contadas
na letra de um samba-enredo
Dois passos pra lá
e dois pra cá
Contar até três
e se deixar levar
Parar somente
para o almoço
porque vai ter baião
de dois
Se chover,
à noite,
qualquer luz
na cidade
vira fonte luminosa
com a água
que desce
E depois da
dança da chuva,
o girassol floresce
Vai nascer
um passarinho
pra atravessar o fundo
Talvez nasçam uns dois
ou três
E por isso,
agora,
dancemos todos
em volta do ovo indez
Rota para percorrer
Rumo pra não se perder
Bússola pra nortear
Com esse vento
eu me misturo
quero saber onde o
mistério chama de
meu lugar
O medo de voar
nos tira
a alegria do pouso
porque quem voa sonha
quem sonha dança
quem dança
sonha alto
