Carlos Augusto de Albuquerque
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Dos meus comunistas, cuido eu!
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Livro de contos e crônicas
A véspera
- Carlos, amanhã você está na rua!
- O que eu fiz, Hugo? Por que está me demitindo?
- Que demitindo o que! Amanhã, você deixa a função de produtor e passa a ser repórter de rua.
- Eu? Você é louco, Hugo?
- Sempre fui.
- Você sabe que eu não sei nem parar na frente da câmera?
- Sim, mas no momento, tudo o que você precisa fazer é, amanhã, antes de vir pra cá, cortar o cabelo.
A estreia
- Umberto, nossa pauta, hoje é sobre movimento na estação ferroviária, nesta véspera de sexta-feira da paixão.
- Ah, aquela pauta de todo ano!
- Você me ajuda a construir algo diferente, para não ficar a mesma reportagem de sempre?
- Sim, vamos lá entrevistar o pessoal chegando para pegar o trem.
Fomos, entrevistamos, conseguimos boas falas, imagens adequadas, que nos ajudariam a passar as informações. Depois de tudo editado, entregaríamos uma reportagem honesta para o MGTV segunda edição daquela quinta-feira da semana santa.
Eis que chega o momento de gravar a passagem, que é quando o repórter mostra o rosto, com algum texto, que se encaixe na reportagem. Para sorte dele, tinha ao lado, Umberto Lemos, um repórter cinematográfico já experiente, com disposição e a dose certa de paciência para ensinar a um jovem e verde repórter, que tinha, até então, usado a voz como narrador de rádio e com algum conhecimento, que naquela hora: não serviria para nada: havia sido bancário, tendo trabalhado 16 anos no Banco do Brasil, contando os três anos como menor auxiliar de serviços gerais. Agora, esse rapaz, de 31 anos, precisaria aprender a se posicionar diante da câmera. Oficialmente, eis as primeiras palavras que ele ouve de professor Umberto Lemos:
- Jovem, você é torto assim mesmo? Aprume esses ombros!
Hora do almoço
Faltavam poucos minutos para começar o MGTV primeira edição. Um táxi parou em frente à TV Leste, na Vila Rica, um bairro de Governador Valadares que tem o trânsito tranquilo, sem o movimento intenso do centro da cidade. O passageiro que desceu do carro um violão na mão. Chegou para uma entrevista ao vivo durante o jornal.
Tive o privilégio de ser o entrevistador. Foi uma conversa tranquila, leve. Ele falou do que o público poderia esperar na apresentação de mais tarde, no teatro da cidade; e entre uma pergunta e outra, tocou e cantou. Logo depois da entrevista, para surpresa do pessoal da redação, o cantor e compositor de Alucinação e Paralelas permaneceu nos corredores, como se esperasse alguém que viesse buscá-lo de volta para o hotel. O jornal terminou e ele ainda estava por ali.
Perguntei se ele queria que eu chamasse um táxi e ele respondeu com outra pergunta:
- Há algum restaurante aqui por perto?
Respondi que naquela região, não havia muitos restaurantes, mas me lembrei de que dentro da emissora, havia uma cantina, onde os funcionários costumavam almoçar.
- É uma comida simples, caseira, mas quem sabe? Se você quiser, eu falo com a moça para "botar uma água no feijão" e você nos dá a honra de almoçar com a gente
Falei isso, pronto para ouvir como resposta um "muito obrigado, não quero incomodar". Mas o compositor de "Hora do almoço" pareceu ter gostado da brincadeira da "água no feijão" e de pronto, respondeu:
- Eu vou aceitar esse convite! Onde fica a cantina?
- Vem comigo!
Ao chegar à cantina, já fui gritando:
- Elenita, ponha um prato a mais aí na mesa, porque temos convidado!
Arroz, feijão, frango frito, tomate e alface. À mesa, Belchior, Marcos Paulo Braga, um locutor que trabalhava numa rádio no mesmo prédio da TV e este embasbacado rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, que de repente, almoçava com dois artistas tão importantes.
Sim, dois artistas, porque Marcos Paulo é um exímio caricaturista, e enquanto saboreávamos a comida e a conversa com Belchior, ele começou a revezar os movimentos da mão direita, entre um garfo cheio levado à boca e o riscar um guardanapo com uma caneta que ele tirou do bolso.
Assim que esvaziamos os pratos, percebemos que Marcos havia desenhado um rosto. Aquele inconfundível bigode não deixava dúvida. E Belchior pediu:
- Posso levar esse desenho pra mim?
Marcos Paulo respondeu que sim e ainda, a pedido de Belchior, autografou o guardanapo. E foi assim que enquanto Belchior entrava no táxi, rumo ao hotel, Marcos Paulo e eu nos olhamos, já cientes de que tínhamos experimentado um almoço com um tempero diferente. Estávamos saciados, mas com uma estranha fome de música e poesia.
Dos meus comunistas, cuido eu!
Carlos, aprenda uma coisa: TV não é rádio
Em 1995, eu era bancário, mas paralelamente ao Banco do Brasil, atuava no rádio, como apresentador e narrador esportivo. Um dia, recebi o telefone de um homem, de voz grave e firme, convidando-me para apresentar, com ele, um programa que ia ao ar todo sábado, na TV Rio Doce. Era o "Sábado Esportivo". Foi esse programa o meu primeiro contato com toda essa parafernália, toda essa "caixinha de fazer doido", que é o veículo televisão.
Brito era firme, direto na hora de me mostrar o "caminho das pedras". Não mandava recado. Ele me fez entender que rádio e TV até poderiam ser parecidos em alguma coisa, mas eram diferentes. Foram seis meses de intenso aprendizado. Quando o programa terminou, porque ele estava cansado de correr atrás de patrocínio, fiquei triste, naturalmente, mas depois, com o tempo, pude compreender como foi rico aquele período. Eu já até me dava por satisfeito por ter feito parte desse mundo das imagens, por ter sentido o gostinho da generosidade do público, o carinho com que trata os que se aventuram a encarar uma câmera num estúdio de TV.
Brito foi muito maior do que um apresentador de programa de esportes. Apaixonado pelo Botafogo e pelo Democrata de GV, ele se fez presente em diversas áreas e sempre de forma marcante.
Quatro anos depois, quando eu comecei a trabalhar com o telejornalismo, já na TV Leste, Brito fazia questão de deixar claro que assistia, que acompanhava o meu trabalho. Eu sempre esperava uma crítica, uma observação mais contundente, com aquele "jeitão" dele de dizer o que pensava. Essa crítica nunca veio. Mas eu me lembrava das broncas que ele me dava na época do "Sábado Esportivo", quando ele corrigia minha entonação de voz, minha postura corporal e o meu vocabulário, que precisava se adequar à linguagem televisiva.
E assim, os ensinamentos ficaram eternos. Tive a sorte de convidá-lo, mais alguns anos depois, para ser meu comentarista em algumas transmissões de jogos do Democrata pelo rádio. Era a forma de agradecer a ele pelo mestre que foi, com preciosas lições de profissionalismo, caráter e generosidade.
Vai, Carlos, ter dois nomes na vida!
Primeiro de maio de 1988. Almocei cedo e fui direto para o Estádio Mammoud Abbas. Eu havia entrado naquele espaço apenas uma vez. Não conhecia os atalhos internos. Cheguei, perguntando onde achava um banheiro, ou um local onde houvesse uma pia. Queria escovar os dentes. Mais do que um cuidado com a higiene pessoal, inconscientemente, talvez, queria estar seguro de que a boca escovada poderia contribuir para que eu usasse bem a voz.
E iria usar muito a voz naquele dia. Era a minha estreia como narrador esportivo. Iria narrar o jogo pela Rádio Ibituruna AM 1320 KHZ, que tinha uma equipe composta por profissionais já experientes: José Luiz Barbosa era o comentarista; Welson Diniz e Jairo Taborda, os repórteres de campo; Getúlio Miranda Sobrinho dava suporte técnico e no estúdio, estava Beto Teixeira.
O jogo era Democrata X Aymorés, de Ubá. A partida era pelo campeonato mineiro da segunda divisão. Em campo, empate por 2 x 2. Deixei o estádio me sentindo o grande vencedor daquele confronto. Pouco mais de dois meses antes de completar 21 anos, eu realizava o sonho de narrar uma partida de futebol, um jogo oficial, transmitido ao vivo pelo rádio.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Tal qual
Um olhar
de paisagem
a invadir
retina
Uma rotina
a compor
paisagem
Sem surpresa,
o olhar de sempre
é feito o pôr do sol,
todos os dias
tão igual
Mas esse olhar
que se repete
sempre encanta,
como acontece
todo dia,
em ponto,
tão igual,
aquele mesmo
pôr do sol.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Juras e promessas
Acordo
com o pensamento
em vou ser
Sem pensar em
saúde ou doença,
tristeza ou alegria
Vêm apenas
estas palavras:
eu e vou ser,
para sempre
até que a morte
me repare
sábado, 22 de agosto de 2026
Ensaios para uma senha
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Vai, idade!
Vai, idade!
Único jeito matemático
de me definir
Vai, idade!
Durante o ano inteiro,
eu em ti me vi
O teu problema
é que quando vens,
eu já te vivi
Vai, idade!
De ti não tenho como
desviar
Quanto mais
te tenho,
menos gostaria
de ter
Foste a minha festa,
o bolo, o presente, o abraço
a alegria da maioridade,
Mas não venha se vestir
da ilusão da melhor idade
Vai, idade!
Diante do espelho,
quanto mais
te vejo em mim,
menos gostaria de
te ver
Vai, idade!
sei que estás à espreita,
rondando o meu futuro
E quando eu parar
de te contabilizar,
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
O poema virou fumaça
Versos me arrepiaram
os cabelos,
reverberaram nas
paredes da memória
e esvoaçaram gritando
nas cavernas da imaginação
Mas antes de pousar
na folha do papel,
foram embora com o vento
Eram versos,
mas não queriam
ser escritos,
nem ser lidos
Quem sabe,
experimentados
apenas,
como um trago,
uma porção,
um gole
Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.