quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Juras e promessas

Acordo e 

meu pensamento é: 

- vou ser


Nem penso em 

saúde e doença,

tristeza e alegria


Vêm apenas 

estas palavras:


eu e vou ser,

para sempre


até que a morte 

me repare




sábado, 22 de agosto de 2026

Ensaios para uma senha

 

Números de 
alguma data
mais óbvia
para a memória 
do que 
para a imaginação

Um nome
de quem, talvez,
nunca soube 
que poderia ser
a chave 
de alguma porta

Quem sabe
uma senha 
ao avesso?
O nome
de alguém
a quem ainda
não tive
acesso 




quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Vai, idade!

Vai, idade!

Único jeito matemático

de me definir


Vai, idade!

Durante o ano inteiro,

eu em ti me vi


O teu problema

é que quando vens,

eu já te vivi


Vai, idade!

De ti não tenho como

desviar


Quanto mais

te tenho,

menos gostaria 

de ter


Foste a minha festa,

o bolo, o presente, o abraço

a alegria da maioridade,

Mas não venha se vestir

da ilusão da melhor idade


Vai, idade!

Diante do espelho,

quanto mais 

te vejo em mim,

menos gostaria de 

te ver


Vai, idade!

sei que estás à espreita,

rondando o meu futuro


E quando eu parar 

de te contabilizar,




 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O poema virou fumaça

Versos me arrepiaram

os cabelos,

reverberaram nas

paredes da memória

e esvoaçaram gritando

nas cavernas da imaginação


Mas antes de pousar 

na folha do papel,

foram embora com o vento


Eram versos,

mas não queriam 

ser escritos,

nem ser lidos


Quem sabe,

experimentados

apenas,

como um trago,

uma porção,

um gole 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

À luz do só

E se o caos

levar ao cais?

E se depois do mar

revolto, 

a vida ficar sã?

Pode ser que

a noite em claro

não tenha sido vã


O caos, esse 

meu lugar comum,

não pariu estrela alguma

mas também

desgosto

trouxe nenhum


Um tumulto interno

para anular a tentação

do atalho 

que tudo adia


legitimou a tese

de que quem 

 

ainda que não ame

ou não seja amado

também não odeia 


Seria um passo

pra não ser odiado?

  

O caos não pariu

estrela alguma

mas gerou uma

improvável paz


não resolveu

teorema,

mas afastou

qualquer tipo de algema


e tudo de ruim que há

no mundo derreteu

de uma vez  

ao calor do sol,

à luz do só



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Eis que ser

Eis que ser

é o que há

para dar

cor ao tempo,

viver o tempo 

da dor

e deixar 

a dor passar


Eis que ser

é o que há,

ter o que viver,

estar pronto para

o riso e o chorar,

pra dar um fim

a quase tudo

e do nada 

recomeçar


Eis que ser

é o que há







sábado, 18 de julho de 2026

Anulação

Fez contra si

o crime perfeito:

tentou não 

mais ser

apenas pra ser

aceito





Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.