terça-feira, 14 de julho de 2026

Águas conjugadas

Eu rio

tu nuvens

de repente,

a chuva

te traz 

e eu te levo

pra foz

pra ver, amor,

o mar

que a gente fez


 

Leio em minski

Leio em mim e esquivo

de ler o que em mim escrevo

Vou ler em mim 

o que comigo me pareço

E não tá escrito

o tanto que de mim me esqueço

E sempre que acontece

eu me faço de livro aberto 

E antes que o tempo feche

eu me feio em lindo

e me leio em minski

Guimarães

O perfume do Rosa

se espalha nas veredas

e gerais

gritam assim:

fique livre

pra ser tão

Riobaldo

quanto Diadorim

Riobaldo e Diadorim

O dia

é a luz e a dor 

do rio


O rio

se banha

no fogo do dia



 



quinta-feira, 18 de junho de 2026

Novos mundos e modos

Não veio o fim do mundo

e sem o dia tão temido,

foi em vão todo o medo 

Agora, é saber o que fazer

com toda essa coragem


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sobre pesos e penas

Antes fosse o peso da pena

apenas o fardo

de sustentar com o ombro

a asa

antes do começo do voo


Antes durasse o peso 

da pena

apenas o tempo

que a pena leva para

rabiscar uma palavra 


Em que pesem

a liberdade e 

o risco de errar,


antes fosse leve todo erro

e qualquer erro valesse 

o peso da pena 


e a pena, ao ser paga,

apagasse o peso do erro

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O baile das redundanças II

A chuva passa

rente ao clarão

da luz do poste

E pensar

que essa fonte luminosa

começou a ser acesa

da dança que veio da aldeia


Em algum canto 

da cidade,

num porão

ou quintal

em noite sem luz

pirilampos iluminam

a aranha na construção

da teia.


Peraê,

que o redemoinho

trouxe o saci


e a centopeia

se ofereceu

para dançar com

o pererê


Pelo grande salão

da floresta,

as garças que voam

em triângulo,

os pés-de-valsa

e as libélulas


A coruja, 

que é da noite espiã.

A coruja,

que da floresta é guardiã.






Estrelas com asas,

esses pirilampos


No desagravo

que os bichos se pudessem fariam,

a coruja, 

de espiã,

da floresta, é guardiã



 



Os pirilampos

são estrelas com asas

Corujas

esquadrinham todos

os passos 


Um drama

se enroscou nas pernas

dos dançantes

de um tango argentino


Um samba 

evocou

um passado

e exorcizou um medo


Tramas, lendas,

biografias e contendas

contadas

na letra de um samba-enredo


Dois passos pra lá

e dois pra cá

Contar até três

e se deixar levar


Parar somente

para o almoço

porque vai ter baião 

de dois



Se chover,

à noite,

qualquer luz

na cidade

vira fonte luminosa

com a água

que desce


E depois da 

dança da chuva,

o girassol floresce



Vai nascer 

um passarinho

pra atravessar o fundo

Talvez nasçam uns dois

ou três

E por isso,

agora,

dancemos todos

em volta do ovo indez


Rota para percorrer

Rumo pra não se perder

Bússola pra nortear


Com esse vento

eu me misturo

quero saber onde o

mistério chama de 

meu lugar


O medo de voar

nos tira

a alegria do pouso


porque quem voa sonha

quem sonha dança

quem dança 

sonha alto


Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.