Antes fosse o peso da pena
apenas o peso da asa
em que pese a liberdade
de errar,
antes fosse leve todo erro
e qualquer erro valesse
o peso da pena
e toda pena
apagasse o peso do erro
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
Antes fosse o peso da pena
apenas o peso da asa
em que pese a liberdade
de errar,
antes fosse leve todo erro
e qualquer erro valesse
o peso da pena
e toda pena
apagasse o peso do erro
A chuva passa
rente ao clarão
da luz do poste
A fonte luminosa
brotou da dança
que veio da aldeia
Em algum canto
da cidade,
num porão
ou quintal
em noite sem luz
pirilampos iluminam
a aranha na construção
da teia.
Peraê,
que o redemoinho
trouxe o saci
e a centopeia
se ofereceu
para dançar com
o pererê
pelo grande salão
da floresta.
Os pés-de-valsa,
as libélulas,
as garças que voam
em triângulo,
A coruja,
da noite espiã.
A coruja,
da floresta,
guardiã.
Burburinhos
na mata,
observada de longe
pela coruja guardiã
Estrelas com asas,
esses pirilampos
No desagravo
que os bichos se pudessem fariam,
a coruja,
de espiã,
da floresta, é guardiã
Os pirilampos
são estrelas com asas
Corujas
esquadrinham todos
os passos
Um drama
se enroscou nas pernas
dos dançantes
de um tango argentino
Um samba
evocou
um passado
e exorcizou um medo
Tramas, lendas,
biografias e contendas
contadas
na letra de um samba-enredo
Dois passos pra lá
e dois pra cá
Contar até três
e se deixar levar
Parar somente
para o almoço
porque vai ter baião
de dois
Se chover,
à noite,
qualquer luz
na cidade
vira fonte luminosa
com a água
que desce
E depois da
dança da chuva,
o girassol floresce
Vai nascer
um passarinho
pra atravessar o fundo
Talvez nasçam uns dois
ou três
E por isso,
agora,
dancemos todos
em volta do ovo indez
Rota para percorrer
Rumo pra não se perder
Bússola pra nortear
Com esse vento
eu me misturo
quero saber onde o
mistério chama de
meu lugar
O medo de voar
nos tira
a alegria do pouso
porque quem voa sonha
quem sonha dança
quem dança
sonha alto
Para valer o escrito,
qualquer poema,
ao deslizar na folha,
conduzido pelos dedos
do escritor,
tem que deixar no papel
um rastro de sujeira
Necessária,
pois essa obsessão
do poeta pela catarse
de fazer verso lavar alma
tira dele o direito
de lavar as mãos
Tudo ficou mais claro
quando a noite escureceu;
é que na esquina, um fato raro,
meu olhar cruzou com o seu.
Pernas, pra que te quero?
Pra correr do monstro
pra parar,
andar, pular
fugir, esconder,
cair, alcançar,
esticar
e te enroscar
noutras pernas
no tango argentino
Contigo eu
vou pro samba
e vou pra rua,
avanço
recuo,
atravesso
e corro pro abraço
Você me dá o seu coração?
Tome, tá na mão
Pra conseguir
tem que saber o que quer
E quem se conhece
sabe o que é
Se você diz que algo
vai fazer
ou que alguém você vai ser
basta dizer e já é
Se existe rota é para percorrer
E rumo pra não se perder
Bússola pra nortear
E olho pra gente ver
mas com esse vento
tão seguro
vou pra qualquer lugar
Quem quer amar vai sofrer
Para voar tem que decolar
Pra recitar tem que decorar
Pra compreender é preciso ouvir
E pra cantar que nem passarinho
tem que bater asas
porque quem canta voa
porque quem voa sonha
quem sonha dança
quem dança
sonha alto
E no salão,
solidão num canto
saudade no outro
Vida e morte
se entrelaçavam num tango argentino
O futuro pegou o
passado pra dançar
Erraram alguns passos,
com que
eu sonhava
já é passado.
O passado se faz presente
Aí está o escritor
em busca da meta:
encontrar o verso
soft e esticado,
tão soft ao ponto
de flutuar ao vento
tão esticado
ao ponto de abrigar
os caprichos do estilo
e divagações do pensamento.
Quem inventou a calçada
não imaginou
raízes fincadas no chão
para sustentar a sombra em dias de muito sol
Quem esticou fios elétricos
sobre as ruas
não planejou galhos e folhas
dando proteção
Falha de projeto,
erro de previsão