segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O poema virou fumaça

Versos arrepiaram

os cabelos do poeta,

ricochetearam na memória

da audição,

e antes de pousar 

na folha do papel,

escorreram pelas mãos.


Eram versos,

mas não queriam ser escritos,

não queriam ser lidos,

queriam apenas ser experimentados,

como um trago,

uma porção,

um gole.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

À luz do só

E se o caos

levar ao cais?

E se depois do mar

revolto, 

a vida ficar sã?

Pode ser que

a dor não seja vã


O caos, esse 

meu lugar comum,

não pariu estrela alguma

mas também

desgosto trouxe nenhum


E um tumulto interno

para anular a tentação

do atalho 

que tudo adia


Legitimou a tese

de que quem 

vive demais

ainda que não ame

ou não seja amado

também não odeia 


Isso  é um passo

pra não ser odiado?

  

O caos não pariu

estrela alguma

mas gerou uma

improvável paz


não resolveu

teorema,

mas afastou

qualquer tipo de algema


e tudo de ruim que há

no mundo derreteu

de uma vez  

ao calor do sol,

à luz do só



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Eis que ser

Eis que ser

é o que há

para dar

cor ao tempo

viver o tempo 

da dor

e deixar 

a dor passar


Eis que ser

é o que há,

ter o que viver,

estar pronto para

o riso e o chorar

pra dar um fim

a quase tudo

e do nada 

recomeçar


Eis que ser

é o que há

ter o que viver,

ter o que lembrar








sábado, 18 de julho de 2026

Anulação

Fez contra si

o crime perfeito:

tentou não 

mais ser

apenas pra ser

aceito





quinta-feira, 16 de julho de 2026

Picolé Joia

Caixa de isopor,

friozinho no palito,

feito de gelo e sabor


- Ah ê o picolé!

Ecoa pelas ruas

o grito do vendedor:


É joia vender,

obrigatório comprar


A memória

não derreteu

o doce

que tem cheiro 

do sol quente


calor e frescor,

tudo ao mesmo tempo,

são dessa lembrança

os ingredientes 








terça-feira, 14 de julho de 2026

O baile das redundanças II

Na escuridão,

moram luzes;

no largo riso,

ou no choro raso,

sentimentos profundos;

em alguns fins,

recomeçam mundos;

há minutos que

nunca acabam

e uma vida inteira

que passa em segundos


Águas conjugadas

Eu rio

tu nuvens


de repente,

a chuva

te traz 


e eu te levo,

comigo amor,

pra  passear na 

foz,


e ver

o mar

que a gente fez


 

Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.