sexta-feira, 13 de março de 2026

Sem direito a ser covarde

Já no início de cada verso,

a catarse é do poeta a obsessão

sem direito a ser covarde,

ele sabe que lavar a alma

não combina com lavar as mãos

quinta-feira, 12 de março de 2026

Olho vivo

 Tudo ficou mais claro

quando a noite escureceu;

é que na esquina, um fato raro,

meu olhar cruzou com o seu.

O baile das redundanças

Foi pro samba, porque

tem samba no pé


Pernas, pra te quero?

É pra correr


O protesto foi pro show de rock

e foi pro samba

quem tem samba no pé


Você me dá o seu coração?

Tome, tá na mão


Pra conseguir

tem que saber o que quer

E quem se conhece

sabe o que é


Se você diz que algo 

vai fazer

ou que alguém você vai ser

basta dizer e já é


Se existe rota é para percorrer

E rumo pra não se perder

Bússola pra nortear

E olho pra gente ver


mas com o vento

vou pra qualquer lugar



Quem quer amar vai sofrer

Para voar tem que decolar

Pra recitar tem que decorar

Pra compreender é preciso ouvir

E pra cantar que nem passarinho

tem que bater asas

porque quem canta  voa

porque quem voa quem sonha


 

E no salão, 

 solidão num canto

 saudade no outro


Vida e morte 

se entrelaçavam num tango argentino





 



quarta-feira, 4 de março de 2026

A meta do verso

Aí está o escritor

em busca da meta:

encontrar o verso

soft e esticado,

 

tão soft ao ponto 

de flutuar ao vento


tão esticado

ao ponto de abrigar

os caprichos do estilo

e divagações do pensamento.



Revisão das cidades

Quem inventou a calçada

não imaginou 

raízes fincadas no chão

para sustentar a sombra em dias de muito sol


Quem esticou fios elétricos

sobre as ruas

não planejou galhos e folhas

dando proteção


Falha de projeto,

erro de previsão


Descombinado

O corpo não combina com o rosto

e ao contemplar o todo,

o olhar se perde no resto.


O título não tem nada a ver com o texto;

e a textura não corresponde ao gosto;


nem a fruta

é igual às outras do cesto.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Perdidos e achados II

O olhar

que procurava achou


O que foi achado

se deixou achar


porque também procurava

o olhar que o achou,


mas isso, ele nunca revelou.



Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.