segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Tal qual

Olhe aí

essa paisagem

a invadir sua retina


Olhe a rotina

que é recompor 

a postura


Olhe a doçura

que é o pôr do sol,

que não perde

o encanto 

e nem se cansa de 

ser igual


Todo dia em ponto

é aquele mesmo 

pôr do sol





 



quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Juras e promessas

Meu pensamento

em vou ser

Nada de 

saúde ou doença,

tristeza ou alegria

eu e vou ser

para sempre

até que a morte 

me repare




sábado, 22 de agosto de 2026

Ensaios para uma senha

 

Números de 
alguma data
mais óbvia
para a memória 
do que 
para a imaginação

Um nome
de quem, talvez,
nunca soube 
que poderia ser
a chave 
de alguma porta

Quem sabe
uma senha 
ao avesso?
O nome
de alguém
a quem ainda
não tive
acesso 




quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Vai, idade!

Vai, idade!

Único jeito matemático

de me definir


Vai, idade!

Durante o ano inteiro,

eu em ti me vi


O teu problema

é que quando vens,

eu já te vivi


Vai, idade!

De ti não tenho como

desviar


Quanto mais

te tenho,

menos gostaria 

de ter


Foste a minha festa,

o bolo, o presente, o abraço

a alegria da maioridade,

Mas não venha se vestir

da ilusão da melhor idade


Vai, idade!

quanto mais 

te vejo em mim,

mais me vejo velho


Vai, idade!

sei que estás à espreita,

rondando o meu futuro, 

minha pele,

minha memória,

meu espelho!


Vai, idade!

Ainda que me enganem

com um:

- tantos anos? Nem parece!


Vai, idade

e me esquece!

Embora eu saiba

que somente quando

eu for, isso acontece.










me esquece




 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O poema virou fumaça

Versos me arrepiaram

os cabelos,

reverberaram nas

paredes da memória

e esvoaçaram gritando

nas cavernas da imaginação


Mas antes de pousar 

na folha do papel,

foram embora com o vento


Eram versos,

mas não queriam 

ser escritos,

nem ser lidos


Quem sabe,

experimentados

apenas,

como um trago,

uma porção,

um gole 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

À luz do só

E se o caos

levar ao cais?

E se depois do mar

revolto, 

a vida ficar sã?

Pode ser que

a noite em claro

não tenha sido vã


O caos, esse 

meu lugar comum,

não pariu estrela alguma

mas também

desgosto

trouxe nenhum


Um tumulto interno

para anular a tentação

do atalho 

que tudo adia


legitimou a tese

de que quem 

 ainda que não ame

ou não seja amado

também não odeia 


Seria um passo

pra não ser odiado?

  

O caos não pariu

estrela alguma

mas gerou uma

improvável paz


não resolveu

teorema,

mas afastou

qualquer tipo de algema


e tudo de ruim que há

no mundo derreteu

de uma vez  

ao calor do sol,

à luz do só



segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Eis que ser

Eis que ser

é o que há

para dar

cor ao tempo,

viver o tempo 

da dor

e deixar 

a dor passar


Eis que ser

é o que há,

ter o que viver,

estar pronto para

o riso e o chorar,

pra dar um fim

a quase tudo

e do nada 

recomeçar


Eis que ser

é o que há







Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.