quinta-feira, 18 de junho de 2026

Novos mundos e modos

Não veio o fim do mundo

e sem o dia tão temido,

foi em vão todo o medo 

E agora, eu aqui,

sem saber o que fazer

com essa inesperada 

coragem


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sobre pesos e penas

Antes fosse o peso da pena

apenas o fardo

de sustentar com o ombro

a asa

antes do começo do voo


Antes durasse o peso 

da pena

apenas o tempo

que a pena leva para

rabiscar uma palavra 


Em que pesem

a liberdade e 

o risco de errar,


antes fosse leve todo erro

e qualquer erro valesse 

o peso da pena 


e a pena, ao ser paga,

apagasse o peso do erro

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O baile das redundanças I

A chuva passa

rente ao clarão

da luz do poste

E pensar

que essa fonte luminosa

começou a ser acesa

da dança que veio da aldeia


Em algum canto 

da cidade,

num porão

ou quintal

em noite sem luz

pirilampos iluminam

a aranha na construção

da teia.


Peraê,

que o redemoinho

trouxe o saci


e a centopeia

se ofereceu

para dançar com

o pererê


Pelo grande salão

da floresta,

as garças que voam

em triângulo,

os pés-de-valsa

e as libélulas


A coruja, 

é da noite a espiã.


Estrelas com asas,

esses pirilampos!


No desagravo

que os bichos,

se pudessem fariam,

a coruja, 

de espiã

da floresta

passaria a guardiã


Um drama

se enroscou nas pernas

dos dançantes

de um tango argentino


Um samba 

evocou

um passado

e exorcizou um medo


Tramas, lendas,

biografias e contendas

contadas

na letra de um samba-enredo


Dois passos pra lá

e dois pra cá

Contar até três

e se deixar levar


Parar somente

para o almoço

porque vai ter baião 

de dois



Se chover,

à noite,

qualquer luz

na cidade

vira fonte luminosa

com a água

que desce


E depois da 

dança da chuva,

o girassol floresce


Vai nascer 

um passarinho

pra atravessar o fundo

Talvez nasçam uns dois

ou três

E por isso,

agora,

dancemos todos

em volta do ovo indez


Rota para percorrer

Rumo pra não se perder


Com esse vento

eu me misturo

quero saber onde o

mistério chama de 

meu lugar


O medo de voar

nos tira

a alegria do pouso


porque quem 

voa sonha

Ah, os pirilampos!

São estrelas com asas


sexta-feira, 13 de março de 2026

Sem direito a ser covarde

Para valer o escrito,

qualquer poema,

ao deslizar na folha,

conduzido pelos dedos

do escritor,

tem que deixar no papel

um rastro de sujeira


Necessária,

pois essa obsessão

do poeta pela catarse

de fazer verso lavar alma

tira dele o direito

de lavar as mãos

quinta-feira, 12 de março de 2026

Olho vivo

Tudo ficou mais claro

quando a noite escureceu;

é que na esquina, um fato raro,

meu olhar cruzou com o seu.

Doação

- Dá-me o teu coração?

- Toma, tá na mão. 







quarta-feira, 4 de março de 2026

A meta do verso

Aí está o escritor

em busca da meta:

encontrar o verso

soft e esticado,

 

tão soft ao ponto 

de flutuar ao vento


tão esticado

ao ponto de abrigar

os caprichos do estilo

e divagações do pensamento.



Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.