Não veio o fim do mundo
e sem o dia tão temido,
foi em vão todo o medo
E agora, eu aqui,
sem saber o que fazer
com essa inesperada
coragem
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
Não veio o fim do mundo
e sem o dia tão temido,
foi em vão todo o medo
E agora, eu aqui,
sem saber o que fazer
com essa inesperada
coragem
Antes fosse o peso da pena
apenas o fardo
de sustentar com o ombro
a asa
antes do começo do voo
Antes durasse o peso
da pena
apenas o tempo
que a pena leva para
rabiscar uma palavra
Em que pesem
a liberdade e
o risco de errar,
antes fosse leve todo erro
e qualquer erro valesse
o peso da pena
e a pena, ao ser paga,
apagasse o peso do erro
A chuva passa
rente ao clarão
da luz do poste
E pensar
que essa fonte luminosa
começou a ser acesa
da dança que veio da aldeia
Em algum canto
da cidade,
num porão
ou quintal
em noite sem luz
pirilampos iluminam
a aranha na construção
da teia.
Peraê,
que o redemoinho
trouxe o saci
e a centopeia
se ofereceu
para dançar com
o pererê
Pelo grande salão
da floresta,
as garças que voam
em triângulo,
os pés-de-valsa
e as libélulas
A coruja,
é da noite a espiã.
Estrelas com asas,
esses pirilampos!
No desagravo
que os bichos,
se pudessem fariam,
a coruja,
de espiã
da floresta
passaria a guardiã
Um drama
se enroscou nas pernas
dos dançantes
de um tango argentino
Um samba
evocou
um passado
e exorcizou um medo
Tramas, lendas,
biografias e contendas
contadas
na letra de um samba-enredo
Dois passos pra lá
e dois pra cá
Contar até três
e se deixar levar
Parar somente
para o almoço
porque vai ter baião
de dois
Se chover,
à noite,
qualquer luz
na cidade
vira fonte luminosa
com a água
que desce
E depois da
dança da chuva,
o girassol floresce
Vai nascer
um passarinho
pra atravessar o fundo
Talvez nasçam uns dois
ou três
E por isso,
agora,
dancemos todos
em volta do ovo indez
Rota para percorrer
Rumo pra não se perder
Com esse vento
eu me misturo
quero saber onde o
mistério chama de
meu lugar
O medo de voar
nos tira
a alegria do pouso
porque quem
voa sonha
Ah, os pirilampos!
São estrelas com asas
Para valer o escrito,
qualquer poema,
ao deslizar na folha,
conduzido pelos dedos
do escritor,
tem que deixar no papel
um rastro de sujeira
Necessária,
pois essa obsessão
do poeta pela catarse
de fazer verso lavar alma
tira dele o direito
de lavar as mãos
Aí está o escritor
em busca da meta:
encontrar o verso
soft e esticado,
tão soft ao ponto
de flutuar ao vento
tão esticado
ao ponto de abrigar
os caprichos do estilo
e divagações do pensamento.