Um clarão de luz
bem no meio
do seu sorriso.
Umas vezes sol
noutras vezes lua
no céu da sua boca acesa.
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
Um clarão de luz
bem no meio
do seu sorriso.
Umas vezes sol
noutras vezes lua
no céu da sua boca acesa.
O tempo abre espaços
É por isso que
há um fevereiro,
com carnaval
no meu setembro
nascimento de filha
- pra sempre me lembro
E é no maio
do caminho,
que flores
definem
os rumos
do mês em si
abril.
Fechado
foi o tempo de março
em águas
onde se
afogou o verão
Já em outra estação
desembarca o Seu
Julho,
com cara de quem
nem viu o irmão passar,
talvez porque e ele e
junho sejam assim mesmo:
frios em quase todo lugar
Outros outubros
se abrem
pra novas chuvas
Há novembros que
demoram pra vir;
tanto quanto os dezembros
Mas esses, quando vêm,
chegam chegando,
chovendo, com pitadas
de sol e vento
A gosto.
Caminhos sintáticos
O poeta,
sem querer,
ensina
o caminho
de uma obra-prima:
andar
entre o nunca
e o sempre
encontrar
riqueza no simples
fugir do fácil
e da afetação
rugir um grito dócil
ter o bom senso
de não ter função
mas se for
pra ser útil
que seja
preposição.
E há quem diga
Que o sonho mais alto
desse sujeito
nem é ter predicado,
mas ser verbo de ligação.
Cravar logo a crase,
quando o verbo pede
e o escritor cede
ao charme da preposição
Quem entende
A urgência do acento grave
Compreende até mesmo
dor aguda
E sofrimento crônico
É um sábio
a ler de pronto a gravidade de
qualquer situação
Quando eu a via,
começava a existir -
É que havia em mim
um estar no mundo,
existir do verbo haver
Quando vinha,
eu a via -
e todo dia,
quando estava
por vir,
eu esperava
pra ver.
Por que chorar e sorrir por um time assim?
É por causa daquelas listras verticais
em preto e branco na camisa?
Aquela tal camisa
que nos faz torcer contra o vento;
até mesmo contra a brisa.
Será uma paixão horizontal,
como um gramado,
talvez um aconchegante e
bem cuidado quintal?
No meu peito, mora um galo.
Outro igual a ele? Nenhum.
Um galo tão forte
e de tão grande porte,
não cabe em campo algum.
Um galo doido,
que me enlouquece a memória;
e agora, quando amanhece o dia,
o canto do galo
vira hino das noites de glória.
Por que esse time é assim?
Quem joga vira torcedor,
quem torce, morre e vive,
fingindo ser sofredor.
Quando o galo canta,
quando luta, só por lutar,
já me encanta.
Quando o galo joga,
não importa se perde
ou se vence,
esse galo tem a mim
e a milhões pertence.
Foi andar
pra procurar
problema
E sentir
coisas
estranhas
que coubessem
num próximo
poema.
Mas percebeu
que dificilmente
escaparia
do conhecido
esquema:
um dia,
viver pra
formular
alguma tese;
no outro,
o esforço pra resolver
um teorema.