quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Frase da faixa

Justiça e liberdade
liberdade e justiça
não necessariamente nessa ordem
ou em ordem alguma

Justiça e liberdade
na falta ou apesar do progresso
ainda que na desordem

Liberdade e justiça
na faixa branca da bandeira
no desbotado verde
que descobre a pátria inteira

Justiça e liberdade
salpicadas na desordem
das estrelas que se espalham
na esfera azul do nosso peito

Mas, suponha
que a frase da bandeira
mudasse e ficasse do seu jeito
era só buscar duas palavras
e refazer o que está feito

Aquela estrela sozinha
não é só o distrito federal
é contraponto à amarelês
do losango de nossos medos

A estrela tem nome
O nome dela é justiça,
o apelido é liberdade
Não precisa ser na ordem
Liberdade
Justiça

A escolha do nome 
só tem um critério:
qual breu
iluminar primeiro?
A quem acordar
olhando  o céu numa serenata?

Na desordem da escuridão,
o coração sempre encontra a luz exata!



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sabores

Eu vou ali pular
eu vou ali amanhã,
de noite, à tarde
Eu vou ali
pra lá
eu sou daqui
mas vim de outro lugar

Estou assim,
com o futuro bem passado,
moído,
torrado
E o presente,
sem tempero,
mal preparado

Mas, qualquer coisa,
abra o vinho,
traga o azeite
Aceite esse mal,
que é para o bem:
hoje, para a gente viver
tem de ser vida sem sal

E o sabor?
Ah, o sabor é brincar
de descobrir onde o prazer
se esconde
Toda criança sabe,
mas finge que não,
só pra poder procurar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cura

Minhas saudades não pesam mais
O tempo leva
o vento traz

A dor
eu lembro leve
e esqueço em paz

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Quanto molhar, melhor


Falta vaga no céu?
Guardo minha nuvem
num desenho no papel.

Só não pode chover,
pra não apagar o dever
escrito no caderno.

Mas deixa cair
em nós
o prazer celestial
de ouvir
a chuva no telhado.

E viva o direito
de chover
no molhado.



Tempos, ventos e santos

Tempo varre
pra dentro 
ou pra fora
da memória

vento corre
quilômetros horários
em tempo
ou fora de hora

Quem morre
vira pó
Quem vive
vive só

Tempo varre
vento corre
santo é 
quem morre.







Da série: Morte e Vida

Dona Morte
é uma mulher de sorte:
conheceu Dona Vida.

E desde então,
tem como melhor amiga
uma mulher suicida.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crônica de ônibus

O ônibus lotado está com cheiro de maçã.
Um rapaz, em pé,
ao lado da catraca,
tem uma sacola de supermercado na mão.
Ele abre e tira de lá,
um bombom.
E come.

Uma mulher fala ao celular.
Um homem ri enquanto Lê uma mensagem no celular.
Outras duas mulheres
falam sobre um celular Ching-ling:

- O meu namorado me deu.
No início, funcionava muito bem.
Depois, a bateria foi ficando
"viciada" (o autor da crônica não sabe
dizer se ela usou a palavra viciada com ou
sem aspas)

- Esse é o problema do Ching-ling!
Já tive um.

O diálogo é breve.
As duas se calam.

Bem ao lado das mulheres,
um jovem manuseia o celular.
Ele usa fones no ouvido.
De vez em quando, olha para fora do ônibus.

O rapaz, perto da catraca,
tira mais um bombom da sacola e come.
Ele usa um boné cor de laranja
Mas, o ônibus continua com cheiro de maçã.

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Eu até já havia chegado ao ponto final.
Não ao fim da viagem do ônibus.
Mas, ao fim desta crônica.
Só retornei ao texto para dizer
que o rapaz, ao lado da catraca,
tirou o terceiro bombom da sacola.
E comeu.
E não sei se algum dia,
ao entrar no ônibus,
vou sentir esse mesmo cheiro de maçã.   

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.