Eu vou ali pular
eu vou ali amanhã,
de noite, à tarde
Eu vou ali
pra lá
eu sou daqui
mas vim de outro lugar
Estou assim,
com o futuro bem passado,
moído,
torrado
E o presente,
sem tempero,
mal preparado
Mas, qualquer coisa,
abra o vinho,
traga o azeite
Aceite esse mal,
que é para o bem:
hoje, para a gente viver
tem de ser vida sem sal
E o sabor?
Ah, o sabor é brincar
de descobrir onde o prazer
se esconde
Toda criança sabe,
mas finge que não,
só pra poder procurar.
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Quanto molhar, melhor
Falta vaga no céu?
Guardo minha nuvem
num desenho no papel.
Só não pode chover,
pra não apagar o dever
escrito no caderno.
Mas deixa cair
em nós
o prazer celestial
de ouvir
a chuva no telhado.
E viva o direito
de chover
no molhado.
Tempos, ventos e santos
Tempo varre
pra dentro
pra dentro
ou pra fora
da memória
vento corre
quilômetros horários
quilômetros horários
em tempo
ou fora de hora
Quem morre
vira pó
vira pó
Quem vive
vive só
Tempo varre
vento corre
santo é
vento corre
santo é
quem morre.
Da série: Morte e Vida
Dona Morte
é uma mulher de sorte:
conheceu Dona Vida.
E desde então,
tem como melhor amiga
uma mulher suicida.
é uma mulher de sorte:
conheceu Dona Vida.
E desde então,
tem como melhor amiga
uma mulher suicida.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Crônica de ônibus
O ônibus lotado está com cheiro de maçã.
Um rapaz, em pé,
ao lado da catraca,
tem uma sacola de supermercado na mão.
Ele abre e tira de lá,
um bombom.
E come.
Uma mulher fala ao celular.
Um homem ri enquanto Lê uma mensagem no celular.
Outras duas mulheres
falam sobre um celular Ching-ling:
- O meu namorado me deu.
No início, funcionava muito bem.
Depois, a bateria foi ficando
"viciada" (o autor da crônica não sabe
dizer se ela usou a palavra viciada com ou
sem aspas)
- Esse é o problema do Ching-ling!
Já tive um.
O diálogo é breve.
As duas se calam.
Bem ao lado das mulheres,
um jovem manuseia o celular.
Ele usa fones no ouvido.
De vez em quando, olha para fora do ônibus.
O rapaz, perto da catraca,
tira mais um bombom da sacola e come.
Ele usa um boné cor de laranja
Mas, o ônibus continua com cheiro de maçã.
-----------------
Eu até já havia chegado ao ponto final.
Não ao fim da viagem do ônibus.
Mas, ao fim desta crônica.
Só retornei ao texto para dizer
que o rapaz, ao lado da catraca,
tirou o terceiro bombom da sacola.
E comeu.
E não sei se algum dia,
ao entrar no ônibus,
vou sentir esse mesmo cheiro de maçã.
Um rapaz, em pé,
ao lado da catraca,
tem uma sacola de supermercado na mão.
Ele abre e tira de lá,
um bombom.
E come.
Uma mulher fala ao celular.
Um homem ri enquanto Lê uma mensagem no celular.
Outras duas mulheres
falam sobre um celular Ching-ling:
- O meu namorado me deu.
No início, funcionava muito bem.
Depois, a bateria foi ficando
"viciada" (o autor da crônica não sabe
dizer se ela usou a palavra viciada com ou
sem aspas)
- Esse é o problema do Ching-ling!
Já tive um.
O diálogo é breve.
As duas se calam.
Bem ao lado das mulheres,
um jovem manuseia o celular.
Ele usa fones no ouvido.
De vez em quando, olha para fora do ônibus.
O rapaz, perto da catraca,
tira mais um bombom da sacola e come.
Ele usa um boné cor de laranja
Mas, o ônibus continua com cheiro de maçã.
-----------------
Eu até já havia chegado ao ponto final.
Não ao fim da viagem do ônibus.
Mas, ao fim desta crônica.
Só retornei ao texto para dizer
que o rapaz, ao lado da catraca,
tirou o terceiro bombom da sacola.
E comeu.
E não sei se algum dia,
ao entrar no ônibus,
vou sentir esse mesmo cheiro de maçã.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Transfusão
Que amor tranquilo
que nada!
Ela implorava
algo que mais do que
fazer o coração disparar,
provocasse uma corrida rústica
nas veias.
Queria sentir
Queria um tsunami,
que a fizesse perder a identidade,
que a renovasse toda,
por dentro e por fora.
que nada!
Ela implorava
algo que mais do que
fazer o coração disparar,
provocasse uma corrida rústica
nas veias.
Queria sentir
o sangue disparando,
freando bruscamente
em cada esquina arterial.
freando bruscamente
em cada esquina arterial.
Ela esperava, ansiosamente,
por algo que a fizesse
mudar de nome,
mudar de endereço.
por algo que a fizesse
mudar de nome,
mudar de endereço.
Queria um tsunami,
que a fizesse perder a identidade,
que a renovasse toda,
por dentro e por fora.
Estava pronta para
um amor,
que provocasse nela
uma transfusão geral de sangue
e de alma.
um amor,
que provocasse nela
uma transfusão geral de sangue
e de alma.
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.