segunda-feira, 18 de junho de 2012

Considerações sobre o tempo

Tempo, inimigo mais antigo,
espelho mais exato,
resposta precisa.
- Ah, então era isso!
Como eu não via?
Como eu não percebia?
- Porque não era tempo
de ver.
Viver me tomava todo o tempo
e perceber não era necessário.

Tempo é lente de aumento,
baú de memórias,
balaio de esquecimentos.

Tempo é lento
quando a gente tem pressa.
Veloz, quando
tudo o que a gente queria é que
o tempo parasse.

Tempo em esfera,
tempo em linha reta,
tempo de espera.
O tempo não perdoa,
põe linhas profundas
no rosto.

Mas, pode ser que o perdão
só precise de um tempo
para brotar, aos poucos,
no asfalto rígido da dor,
que se esfacela lentamente,
por obra e graça
do tempo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tendo sido...

Ser
ter...

Cer-
teza,

É o que 
ele não 
tinha




segunda-feira, 4 de junho de 2012

O telefone


Ela não me liga,
mas eu ouço vozes
pergunto: quem é?
Alguém diz: cruzes!
Pergunto: onde?
Ninguém responde.




Volta na chave

Dou uma volta na chave,
um passeio na rua,
duas voltas na praça,
sem a chuva prevista,
tomo um banho de lua

Tomo um chá de cadeira no bar,
a noite nem parece ter pressa
faz que vai me esperar
e me tirar pra dançar

Mas, não dá tempo
de todo o ritual se cumprir
é chegada a hora de dormir
se é que você dorme,
se é que você me entende

Então, vamos embora,
vou dar a volta contrária na chave
e resumir o discurso que ensaiei
e vamos lá, com um certo cuidado,
que o sol tem sono leve
Vamos amar adoidado

Mas pra nós sermos livres,
só se for de almas abertas,
corpos colados
e a porta trancada.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Choro no espelho

Chorou,
olhou no espelho,
acompanhou o pequeno e efêmero 
córrego que a lágrima lhe formou no rosto
Até sentiu o gosto salgado

- é o sal da vida, pensou!

Deu de ombros para o espelho
deu um leve sorriso
e pranto final

Da próxima vez que chorar,
já vai ser por um outro motivo,
uma nova história.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sob medida

Na minha cara,
cabem todas as verdades que me jogarem

No meu armário do tempo,
não há bombas a ser desarmadas,
nenhum grande mistério
Só destroços de memória,
restos mortais de amores
e ossos de histórias,
que ainda até posso contar

Na minha casa,
cabem todos os fantasmas camaradas,
coloridos e invisíveis

Nas minhas asas,
sobe toda a carga dos anos
Mas, como o tempo não para,
tempo não pesa

 

sábado, 26 de maio de 2012

Letra, palavra e frase

O desejo secreto da frase
era não ser mais do que uma simples palavra

Para a palavra,
bastava ser uma letra

A letra queria ser menos ainda:
um acento,
uma vírgula,
um pingo

Mas, aí, ela
continuaria sendo letra,
a letra i

Frase, palavra e letra
queriam ser apenas um sinal gráfico,
um rabisco que dançasse
ou fizesse cantar,
um código mágico e universal

Mas, frase, palavra e letra
já se conformaram em ser o que são
pois o que elas queriam ser
já existe:
é a nota musical

Mas, quem pensou que fim
dessa história fosse de frustração,
ainda não percebeu
que toda vez que alguém assobia
uma melodia,
ou toca um
instrumento,
letra, palavra e frase pegam
carona na música

e é assim que o sonho
se faz
e se refaz todo dia.



Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.