O barco desnorteado
sem rumo
o barqueiro remou
para o sul
a vida desbotada
sem tons
o vivente se pintou
de azul
Sobreviveu
remou
achou o norte
o doce
e o sal
flertou com
a morte
chorou
com a lua
dormiu ao sol
sorriu na rua
para qualquer um
de qualquer jeito
caminhou
e fazia assim
toda vez que não
sabia aonde ir
saía por aí
até que um dia
se perdeu tanto de si
que não sabia mais voltar
para sempre estava só
e foi aí que se encontrou inteiro
para nunca mais.
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Diálogo no ônibus III
- Por favor, o senhor pode sentar!
- Ah, muito obrigado, meu filho! Eu agradeço, mas vou continuar de pé, não se preocupe.
- Não, mas eu faço questão. Já me levantei para o senhor sentar!
- Não, não, não! Eu vou continuar de pé! Está bom assim! E você está me chamando de velho? Puxa! Hoje em dia, ninguém mais respeita a gente! Que absurdo!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Diálogo no ônibus II
- Isaura, sabia que descobriram um remédio que cura a Aids?
- Sério?
- Sim. Vi no Fantástico.
- E que remédio é esse, Josélia?
- Chama-se Paratessamol.
- Paracetamol.
- Ah, você também viu o Fantástico?
- Não, Josélia. O remédio se chama Paracetamol. E não cura a Aids. É remédio para dengue.
- Ah, quer dizer que dengue agora já tem cura?
- Não.
- Mas, você não falou que Paratessamol cura a dengue?
- É paracetamol.
- Isso. Esse nome aí mesmo.
- Mas paracetamol não cura a dengue. Apenas alivia os sintomas.
- Ah... Mas, por que será que eu me confundi? A reportagem falava sobre Aids e esse tal de paratessamol, tenho certeza.
- É paracetamol.
- Ah, quer saber de uma coisa? Vamos mudar de assunto. Não aguento mais falar de televisão. Mas, aqui: você sabia que minha mãe estava com dengue?
- Sério?
- Sim. Vi no Fantástico.
- E que remédio é esse, Josélia?
- Chama-se Paratessamol.
- Paracetamol.
- Ah, você também viu o Fantástico?
- Não, Josélia. O remédio se chama Paracetamol. E não cura a Aids. É remédio para dengue.
- Ah, quer dizer que dengue agora já tem cura?
- Não.
- Mas, você não falou que Paratessamol cura a dengue?
- É paracetamol.
- Isso. Esse nome aí mesmo.
- Mas paracetamol não cura a dengue. Apenas alivia os sintomas.
- Ah... Mas, por que será que eu me confundi? A reportagem falava sobre Aids e esse tal de paratessamol, tenho certeza.
- É paracetamol.
- Ah, quer saber de uma coisa? Vamos mudar de assunto. Não aguento mais falar de televisão. Mas, aqui: você sabia que minha mãe estava com dengue?
Diálogo no ônibus
- Oi
- Oi
- Você está morando aqui agora?
- Sempre morei.
- Uai, é?
- Sim
- Achei que você tivesse ido para os Estados Unidos
- Não
- Mas, fiquei sabendo que você tinha sido deportado!
- Não, não fui. Nunca saí do Brasil.
- Não?
- Não.
- Você não é o Marcos, filho da Dona Zefa?
- Não. Meu nome é Pedro.
- Puxa! Por que não falou antes? Pensei que você era o Marcos
- Uai, você não perguntou...
- Oi
- Você está morando aqui agora?
- Sempre morei.
- Uai, é?
- Sim
- Achei que você tivesse ido para os Estados Unidos
- Não
- Mas, fiquei sabendo que você tinha sido deportado!
- Não, não fui. Nunca saí do Brasil.
- Não?
- Não.
- Você não é o Marcos, filho da Dona Zefa?
- Não. Meu nome é Pedro.
- Puxa! Por que não falou antes? Pensei que você era o Marcos
- Uai, você não perguntou...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Segundas intenções
Um boa-tarde
com segundas intenções?
Um sorriso
com segundas intenções?
Um presente,
um empréstimo,
um elogio,
um favor,
tudo com segundas intenções?
Não se preocupe,
não se culpe
Desconfio de que
muitas coisas boas do mundo
não surgem de primeira
belas noitadas de sexo,
amizades sinceras
e até grandes amores
nascem
das segundas intenções.
com segundas intenções?
Um sorriso
com segundas intenções?
Um presente,
um empréstimo,
um elogio,
um favor,
tudo com segundas intenções?
Não se preocupe,
não se culpe
Desconfio de que
muitas coisas boas do mundo
não surgem de primeira
belas noitadas de sexo,
amizades sinceras
e até grandes amores
nascem
das segundas intenções.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Falando em ser livre
Não me venha
falar de liberdade,
se você não tem coragem
de sair descalço pela rua
num sábado à tarde
O crente
Ele se dizia
crente
mas de vez
em quando perdia
a fé
E se achava doente
da cabeça
perdia o pé de apoio
pedia socorro
gritava ai meu Deus
o que eu fiz
o que eu faço
E se dizia crente
rezava
orava
jejuava
protestava
era um protestante
que não ia à igreja
passava longe do bar
vivia perto do mar
mas, tinha medo da
onda
e preferiu ficar
onde está.
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.