Ele nunca entendera
esses casais
que ao término da relação,
destrocam os presentes.
Mas, um dia,
ao visitar a casa
do ex-amor,
descobriu,
na área de serviço,
em meio a um monte de entulhos,
o ursinho de pelúcia
que ele lhe dera quando namoravam.
Num impulso,
guardou o bichinho na mochila.
Pegar o presente de volta
não era sintoma de que
desejasse o passado
de volta,
visto ser essa uma ideia sem futuro.
Salvar do abandono
o ursinho de pelúcia
era salvar um sentimento sem nome:
nostalgia,
esperança
e pena?
Ou ao querer ficar com
o bichinho,
tinha ele, talvez,
a mesma motivação
do especialista
ao eleger as peças
que merecem
morar no museu?
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
terça-feira, 29 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
A que ponto chegamos
A que ponto chegamos
no caminho entre a teoria
e a prática
a vida deixou sem base
nossa retórica
a que ponto chegamos
mudamos o rumo
sem pular de fase
e ainda há muitas vírgulas
querendo um lugar na frase
e de alguns pontos
nem sequer passamos
sobre a morte
no caminho entre a teoria
e a prática
a vida deixou sem base
nossa retórica
a que ponto chegamos
mudamos o rumo
sem pular de fase
e ainda há muitas vírgulas
querendo um lugar na frase
e de alguns pontos
nem sequer passamos
sobre a morte
ainda se fazem teses
e no fim,
o mesmo ponto
de interrogação
a algum ponto chegamos
e toda vez que deliramos,
pensando ser o ponto final,
recobramos a consciência
para ver que ainda faltam
dois para se completar a reticência
e no fim,
o mesmo ponto
de interrogação
a algum ponto chegamos
e toda vez que deliramos,
pensando ser o ponto final,
recobramos a consciência
para ver que ainda faltam
dois para se completar a reticência
domingo, 6 de novembro de 2011
Eu te...
Estou louco para dizer
mas talvez não diga
Meus pés querem ir
minhas mãos querem tocar
minha pele quer sentir
o coração segue na frente
mostrando caminhos
mas não ensina a chegar
e nem aceita voltar
Eu quero ir
a frase está prestes a sair
e está entre o sopro suave
e o grave explodir
Eu quero falar
mas talvez não diga
Estou pronto pra ir
(pronto?)
mas talvez não siga
domingo, 23 de outubro de 2011
Chuva na mão
A chuva
cai
como uma luva
ao cair da tarde
ao adormecer das tensões
e alardes
A chuva serve
como uma luva
ao cair da tarde
ao adormecer das tensões
e alardes
A chuva serve
para malhar o verde
Quem não pode ver
talvez escute
quem não pode vir
talvez escute
quem não pode vir
se eu quiser
a chuva traz
E quando a chuva
está
cheiros se levantam
poeiras baixam
Quando a chuva
vai
eu fico aqui
a mastigar luas
a fustigar estrelas
a investigar silêncios
domingo, 31 de julho de 2011
Um caso de cor
Morou numa casa
com paredes cor de laranja
Nos sonhos, o céu mudava
de cor
era de acordo
com a história que
os olhos resumiam
Tinha uma coisa
com a cor negra,
gostava de preencher
o olhar
com alguém de pele escura
queria ter (e tinha!)
um caso
com a cor negra!
sábado, 23 de julho de 2011
Breu
Esse breu sou eu
porque quando escurece
é aí que tudo se esclarece
em mim
é um escuro
que não tem nada a ver
com falta de luz
mas com a luz negra
que vem da África
Esse breu sou eu
nessa escuridão
eu me reconheço
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Medo de que?
Medo da morte?
Tome aqui esse trevo da sorte.
Medo da vida?
Tome esse cálice.
Medo do azar?
preencha logo esse
cartão de loteria.
Tem um modo de pensar?
Desmonte as peças,
comece tudo de novo.
Medo do silêncio?
Não diga nada.
Se quiser, não siga,
não pare.
Se o bicho pegar,
dispare.
Tome aqui esse trevo da sorte.
Medo da vida?
Tome esse cálice.
Medo do azar?
preencha logo esse
cartão de loteria.
Tem um modo de pensar?
Desmonte as peças,
comece tudo de novo.
Medo do silêncio?
Não diga nada.
Se quiser, não siga,
não pare.
Se o bicho pegar,
dispare.
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.