segunda-feira, 21 de março de 2011

Gente feita de ar, sol, lua, terra e água

Quem é de sol
viaja
na luz laranja
do horizonte

ou no ofuscante
holofote da memória

quem é de fogo
brilha,
chama
e esquenta

e entende a linguagem
da fumaça que vem
de qualquer tribo

quem é de lua
a gente tem de adivinhar
o dia de estar tudo bem

quem é de ar
voa mil léguas
quem é de mar
anda nas águas

dispensa a paz das tréguas
mas sempre acha
que é cedo
para encarar a paz eterna

quem é de terra
sabe onde os túneis vão dar
e suga o bem pela raiz

quem voa pelo mundo
conhece os campos de pouso
decola pra ir de flor em flor
adivinha quando
alguém vai embora
e compreende as voltas
que todo mundo dá

quem é de agora
vai se dar conta
num lugar tal
num tempo natural
de aprender a não ter pressa

Oportunismos

Quando o sol
mergulha,

o tarde ferve

e o mar serve
um copo de sonrisal
para brindar a noite

Quando a lua
bate nos olhos,

uma estrela
pousa
no céu do seu rosto

quando a chuva
vem mansa,

chamo minha filha
e a gente dança na rua

tive essa ideia
ao ver um dia
o vento assoviar
para a árvore
e tirar uma folha pra bailar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fui

Fui lá fora
olhar as nuvens

Elas ainda
estavam

Fui às fotos
olhar os
jovens

éramos
vários retratos
num só

fui aos fatos
procurar
sentido

fui aos
sentidos
procurar encontros

domingo, 16 de janeiro de 2011

Papéis de registros

O diário
não conta a história
do dia inteiro

O sonho
não é a imagem
completa
da noite

no por-do-sol,
cabe sim
toda a tarde
com seus suspiros,
cansaços
e descanso

A agenda
marca a hora
para respirar fundo

para me dar conta
do raso
do riso
das quedas de humor
das revoltas do mar
das reviravoltas
do que ainda vem
e do que não adianta
mais esperar

sábado, 15 de janeiro de 2011

O caminho na pedra

No meio da pedra havia um caminho
 brotava um rio de dentro da pedra

 por fora da pedra havia um risco
 quase um desenho

 e traços feitos pela água
 nas costas da pedra
 figuras trabalhadas
 em milhões de anos
 pela paciência da água

a pedra era a mãe do rio
e tinha uma beleza
filha do esmero do fio d'água

no peito da pedra havia um corte,
ferimento feito por um raio
disparado à queima-roupa

um dia o poeta achou
a pedra no meio do caminho
a pedra o rio o caminho
o raio o traço o corte
o desenho a poesia tudo é risco

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Água doida

Estou
nordeste
de sede

mas
suporto
bem o calor

nem me
queimo
na chama trêmula
de ultrapassadas ideias

é apenas uma
vela esquecida
não é fogo grande

não me
afogo
nesse jogo

porque
não é um
vale de lágrimas

é só um
córrego
formado
pelo leite derramado

meu coração
às vezes
sabe de tudo

noutras vezes
nada

nada
e ele sim

morre afogado
num copo
d'água

ao lado da dentadura
da velha paixão caduca

estou um deserto
de ideias

mas nada que impeça
o esboço
de uma poesia maluca.

Democrata/GV no Rio

O Democrata fez, hoje,
o segundo amistoso
no Rio de Janeiro.

Perdeu de 4 a 3
do Madureira.

Mas, hoje,
a Pantera jogou
com a escalação
de jogadores reservas.

Chegou a estar
à frente no placar:
2 a 1.

Mas, ainda
no primeiro tempo,
tomou a virada.

No segundo tempo,
empatou o jogo.

Mas, já no finzinho,
tomou o quarto gol.

Laio,
Glaydson
e Amílton
fizeram os gols do Democrata.

Domingo, o
último amistoso
no Ri0:

no Engenhão,
contra o Botafogo.

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.