quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Almoço

 


Verseada ao molho de inspiração abrupta,

com uma pitada de riso nervoso e descontrolado,

uma gota de lágrima envelhecida,

requentada em fogo brando de melancolia 


Na sobremesa,

dores descongeladas,

adoçadas com ressentimentos desidratados


Fica pra próxima

o sachê com 5 gramas de alegria

 

Operação mãos limpas

Quando sentou na cadeira do bar,

a palma da mão estava de um jeito,

que água não dava conta de limpar:


engordurada de

tanto manusear cotidianos,

contaminada

de grandes e

pequenos dramas,


impregnada de bactérias

e resquícios de perfume

deixados por outras mãos


Teve a sensação de que 

higienizar aquela parte do corpo

seria também lavar a alma


E finalmente, começou a operação

limpeza:

com uma caneta entre os dedos,

deslizou a palma da mão

sobre o guardanapo aberto na mesa


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Quantos eus

Este que sou agora

chegou não sei quando

talvez fora de hora


Uns daqueles que

eu fui um dia

ainda não foram embora


Vários que eu seria

já eram


E não sei quais

nem quantos 

aqui nunca estiveram


Será que estão a caminho

esses outros de mim?

Ou são eles

que por mim esperam? 


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Homem verde


Chegou a época

de semear belezuras


de respeitar a missão

inglória dos espinhos

e pelo menos não ser

o que vai arrancar a rosa


Festejar os frutos

e as sombras das árvores,

render homenagens

às raízes




quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Outras anotações

 

Se ela erra?

Como humana que é, 

provavelmente, sim; 

mas que os erros dela 

não causem mal a ninguém, 

assim como  

nunca fizeram a mim  

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Biografilha


O que eu leio:

as histórias que ela escreve 

em cada linha

das retas e curvas que percorre, 

nas inequações que resolve


Meu desejo:

as dores que ela absorve

virem flores que a iluminem



O que eu vejo:

a força a descrever 

a menina que dança 

a mulher que se lança 

com uma sede de descobrir, 

que já vem de criança,

quem sabe até de nascença 


O que me tranquiliza:

ela trabalha, 

ama, 

anda na praia, 

viaja,  

sonha e realiza.


Se ela chora?

Um dia desses,

viu uma alegria

sair pela porta de casa

para não mais voltar

E eu a vi chorar

Quando não é

tristeza,

os olhos dela exalam estrelas 

e ela sai a desvendar novos mundos 

a mergulhar em muitos mares 

 

Ela se entrega aos ventos, 

mas não pense  

que vai sem norte 

ela é a minha filha 

e essa é a minha sorte 

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Não deu tempo

Não deu tempo de fazer um poema 

para a sabedoria

Logo veio a 

a anestesia,

seguida da alergia,

da letargia,

e o silêncio

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.