quarta-feira, 30 de julho de 2025

Bichos essenciais

Por educação,

levar a sério o ditado:

quando um burro fala,

o outro murcha a orelha


Como macaco velho

não mete a mão na cumbuca,

estar sempre com a pulga atrás da orelha

e evitar passar o carro na frente dos bois


Quando a porca torce

o rabo

precisa escolher entre

virar uma onça

ou se fingir de égua


gato escaldado,

que tem medo de água quente,

detecta, de longe,

o risco que vem ainda

lá na frente


Disciplinado,

pra não ver a vaca ir pro brejo,

tem que matar um leão por dia

engolir sapos,

pra não perder emprego

e preservar a paz


Justo e leal,

dá um boi para não entrar

na briga

e uma boiada pra não sair,

se a causa valer a pena


Pra afrouxar o nó da garganta,

cospe marimbondos


E se não der resultado,

se ainda estiver sufocado,

solta os cachorros

e se sente libertado


Mas o que mais o anima

é sentir borboletas no estômago




quarta-feira, 9 de julho de 2025

Um aceno

Votei para o verso vir

e ficar


Ele veio

mas não ficou


Era um verso em 

trânsito,

cumprindo o trâmite


e eu, em transe,

a esperar

uma semente 

que eu pudesse plantar


Não é que tenha

sido um veto,

mas é que o verso

é um vento,

sem interesse

de fazer brotar

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Dias sim

Depois, que eu possa dizer:

-  era um sonho que eu tinha


Durante, que eu perceba:

- que sorte a minha!


E toda vez que eu me perder:

- ganhei meu dia!


terça-feira, 10 de junho de 2025

Hora certa

A hora certa

ninguém sabe qual é

O incerto é pontual




Desopostos

Antes pelo contrário

Depois pelo precoce

no meio, o retardatário


Foi morto o choro do 

enterro

no dia do inventário


Há erro que não morre

e sempre faz aniversário






Questão de interpretação

Não falei direta

nem indiretamente

Foi você

que me entendeu mal

segunda-feira, 2 de junho de 2025

O rio de Sebastiao


 

Na terra seca, 

à beira do rio, 

cresceu árvore, 

surgiu bicho, 

brotou água 

 

Foi mágica não; 

projeto e trabalho 

de Lélia e Sebastião 


Doce é o nome do Rio 

Salgado é o sobrenome de Tião 

o acaso preparou esse tempero 

 

Quanta vida havia  

escondida nas entranhas da terra

debaixo daquele deserto estranho

e hoje, tantas florestas 

renascem no viveiro  

 

Doce é o rio 

pra Sebastião, 

sagrado 

 

e que gosto bom  

regar as sementes   

que já refrescam o futuro 

desde o canteiro 

quem sabe um dia,  

um rio salvo e são, 

se levarmos a sério

o sonho de Sebastião 

 

(Para Sebastião Salgado – 02/06/2025) 

Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.