quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Leitura labial

Leitura labial 

 

- Pare de tentar ler 

o meu sorriso 

É nos olhos  

que a gente vê tudo 

 

- Mas seu olhar  

não falou mais nada,  

ficou mudo. 

 

- É assim mesmo. 

Já olhei 

em alguns olhos 

e vi o mundo; 

noutras vezes, 

olhei no fundo 

de outros olhos; 

e sim, meu olhar 

estava surdo. 


 




Bafo de astros

Um clarão de luz 

bem no meio 

do seu sorriso.


Umas vezes sol

noutras vezes lua

no céu da sua boca acesa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Meses dançantes

O tempo abre espaços

É por isso que 

há um fevereiro,

com carnaval

no meu setembro

nascimento de filha

- pra sempre me lembro


E é no maio

do caminho,

que flores

definem 

os rumos

do mês em si

abril.

Fechado

foi o tempo de março

em águas

onde se 

afogou o verão


Já em outra estação

desembarca o Seu 

Julho,

com cara de quem

nem viu o irmão passar,

talvez porque e ele e  

junho sejam assim mesmo:

frios em quase todo lugar


Outros outubros

se abrem 

pra novas chuvas


Há novembros que 

demoram pra vir;

tanto quanto os dezembros


Mas esses, quando vêm,

chegam chegando,

chovendo, com pitadas 

de sol e vento

A gosto.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Caminhos sintáticos

 

Caminhos sintáticos 

 

O poeta, 

sem querer, 

ensina  

o caminho  

de uma obra-prima: 

andar 

entre o nunca 

e o sempre 

 

encontrar 

riqueza no simples 

fugir do fácil 

e da afetação 

rugir um grito dócil 

ter o bom senso 

de não ter função 

mas se for 

pra ser útil  

que seja 

preposição. 

 

E há quem diga 

Que o sonho mais alto 

desse sujeito 

nem é ter predicado, 

mas ser verbo de ligação. 

 

Assentamentos

Assentamentos 

 

Cravar logo a crase, 

quando o verbo pede 

e o escritor cede 

ao charme da preposição 

 

Quem entende  

A urgência do acento grave 

Compreende até mesmo

dor aguda  

E sofrimento crônico 

É um sábio 

a ler de pronto a gravidade de 

qualquer situação  

 

 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Vistas, vindas, idas

Quando eu a via,

começava a existir -

É que havia em mim

um estar no mundo,

existir do verbo haver


Quando vinha,

eu a via -

e todo dia,

quando estava 

por vir,

eu esperava

pra ver.









Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.