quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Meses dançantes

O tempo abre espaços

É por isso que 

há um fevereiro,

com carnaval

no meu setembro

nascimento de filha

- pra sempre me lembro


E é no maio

do caminho,

que flores

definem 

os rumos

do mês em si

abril.

Fechado

foi o tempo de março

em águas

onde se 

afogou o verão


Já em outra estação

desembarca o Seu 

Julho,

com cara de quem

nem viu o irmão passar,

talvez porque e ele e  

junho sejam assim mesmo:

frios em quase todo lugar


Outros outubros

se abrem 

pra novas chuvas


Há novembros que 

demoram pra vir;

tanto quanto os dezembros


Mas esses, quando vêm,

chegam chegando,

chovendo, com pitadas 

de sol e vento

A gosto.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Caminhos sintáticos

 

Caminhos sintáticos 

 

O poeta, 

sem querer, 

ensina  

o caminho  

de uma obra-prima: 

andar 

entre o nunca 

e o sempre 

 

encontrar 

riqueza no simples 

fugir do fácil 

e da afetação 

rugir um grito dócil 

ter o bom senso 

de não ter função 

mas se for 

pra ser útil  

que seja 

preposição. 

 

E há quem diga 

Que o sonho mais alto 

desse sujeito 

nem é ter predicado, 

mas ser verbo de ligação. 

 

Assentamentos

Assentamentos 

 

Cravar logo a crase, 

quando o verbo pede 

e o escritor cede 

ao charme da preposição 

 

Quem entende  

A urgência do acento grave 

Compreende até mesmo

dor aguda  

E sofrimento crônico 

É um sábio 

a ler de pronto a gravidade de 

qualquer situação  

 

 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Vistas, vindas, idas

Quando eu a via,

começava a existir -

É que havia em mim

um estar no mundo,

existir do verbo haver


Quando vinha,

eu a via -

e todo dia,

quando estava 

por vir,

eu esperava

pra ver.









quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Os porquês de ser Galo

Por que chorar e sorrir por um time assim?

É por causa daquelas listras verticais

em preto e branco na camisa?

Aquela tal camisa

que nos faz torcer contra o vento;

até mesmo contra a brisa.


Será uma paixão horizontal,

como um gramado, 

talvez um aconchegante e

bem cuidado quintal?


No meu peito, mora um galo.

Outro igual a ele? Nenhum.

Um galo tão forte

e de tão grande porte,

não cabe em campo algum.


Um galo doido,

que me enlouquece a memória;

e agora, quando amanhece o dia,

o canto do galo 

vira hino das noites de glória.


Por que esse time é assim?

Quem joga vira torcedor,

quem torce, morre e vive,

fingindo ser sofredor.


Quando o galo canta,

quando luta, só por lutar,

já me encanta.


Quando o galo joga,

não importa se perde

ou se vence,

esse galo tem a mim

e a milhões pertence.  

  



domingo, 24 de outubro de 2021

Tese e teorema

Foi andar

pra procurar 

problema

E sentir

coisas 

estranhas

que coubessem 

num próximo 

poema.

Mas percebeu

que dificilmente

escaparia

do conhecido 

esquema:

um dia, 

viver pra

formular

alguma tese;

no outro,

o esforço pra resolver

um teorema.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Parada obrigatória

Parei com a poesia.

Foi ontem à tarde.

Eu a encontrei

encostada a uma 

árvore.

Sem alarde,

ela bocejou

uma rima

e resmungou

uns versos brancos.

Fora isso,

não conversamos

muito.

Tergiversamos

sobre um outro 

assunto.

Ela estava

bem acessível.

Nem parecia

aquela,

que tantas vezes,

faz que de mim

se esquece 

e nenhum verso 

me fornece.

Do nada,

ela se foi.

Mas qualquer dia

reaparece,

pra dizer um oi. 


Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.