quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Inquérito

Poemas não são inocentes

 Poemas nos escapam

Poemas nos espreitam

Poemas nos rejeitam

Poemas não estão

sempre presentes

quando a gente quer.

Poemas não são inocentes

Nenhum verso sequer.

Quem é o poeta?

Quem é o poeta? 

 

Este é o poeta: 

perdido entre duas  

estradas, 

vagando por 

estreitas veredas, 

ele queima em labaredas 

apagadas 

Lunático sob 

luas cinzas, 

errático 

sobre ruas zonzas... 

Ele se deixa iludir 

por milhões  

de estrelas, 

e se queixa 

da pretensão de ´ 

números exatos 

está sempre a 

fugir da  

da linha reta, 

e a venerar a 

Curva,  

explora o monte 

de onde enxerga 

a chance de mudar o norte 

de fugir da iminente 

irremediável sorte 

 

Eis o poeta. 

Em busca  

da fonte dos versos 

enlouquecido 

atrás de estrofes, 

sufocado nos 

escombros de  

antigas paixões; 

metido a  

reinventar o mundo 

esse mequetrefe 

faz de tudo 

pra ser tido 

como um blefe.  

 

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Desembriaguez

O álcool,

naquela noite,

começou a

lhe abrir 

uma 

madrugada 

de sol.


Quase uma 

ameaça

de mostrar 

um mundo real.

Melhor beber

água.

É mais natural.

Cala e fala

Quando

não falei 

de mim,

o me calar

doeu


Então,

falei. 

Do eu.


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Tudo ou nada

Vem o tudo

com todo o peso

Chega o nada

e o seu desprezo

E ainda bem

que há outra

chance.


Mas, agora

é tudo ou nada,

sem nuance.

Por que o drama?

É a tal vida  

que a gente ama:

esse romance!


quinta-feira, 15 de julho de 2021

Desaguares

Dor ou alegria,

ou seja lá

o que faça chorar;


há sempre um 

mar de lágrimas,

onde as emoções

desaguar


Não sei se ando 

um tanto quanto frio

Mas meu mar

de lágrimas

está quase vazio


É que hoje, choro

menos do que rio.


Narciso confuso

Não se afastar

da margem,

antes de compreender

a profundidade da imagem:


A correnteza do rio

se alimenta da beleza

de quem nele se vê


Não se iludir

com a calma da superfície

do espelho d'agua

que parece inocente


O rio que corta

sem sangrar a planície

é lâmina permanente.


Há quem se olhou

de cima

e no fundo se viu


E há quem no fundo

viu que somente 

a chuva devolve água ao rio


E o espelho fluido 

é outro mistério intermitente:

e se o que se vê agora,

já não foi embora,

levado pela água corrente?



Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.