domingo, 19 de julho de 2020

Haikai de um domingo de inverno

No dia todo frio
O sol usa e abusa
da blusa no varal



domingo, 12 de julho de 2020

O dia manda recado

Nos primeiros
acordes,
passarinhos
acordam o sol

Raios de luz
entram pela
fresta da janela,
e deixam  claro:
que já é hora de sair
de baixo do  lençol.

Haikai do banquete

Esfarelo pão
sobre o muro da varanda
Dois pássaros pousam

Ameaça e promessa

Pois é
Era mesmo pra ser.
Pudera
avisou que seria.
Pusera uma placa
no olhar
Pois era
visível
Todo o mundo sabia.
Pois ia
Tinha que ir um dia
Pois foi
Embora 
dizendo
que voltaria

Falai alguma coisa

Pode ser que aconteça
agora,
sem que eu saiba 
se é fim ou recomeço.

Estou no meio do dilema,
sem saber se é assim mesmo,
ou se é problema.

Estou no meio:
ao mesmo tempo, limite;
no mesmo espaço, alvo.

Mas dizei um só palpite
e serei salvo.

Kafkafé da manhã

Um dia, acordou
e se descobriu
cheio de pernas
misturadas com braços

Lembrou-se que
antes de dormir
ainda era gente
Mas durante o sono,  
virou aranha.

Nem chorou,
nem sorriu.
Nem quis café,
nenhum tipo de manha.

Apenas fez
o que dava
pra fazer.

Agora, não precisava
mais ter, nem ser,
nem fazer ou acontecer.
Só restava a ele tecer.  
 

Demonstrativo

Cedo, cedo, 
mas já é tarde.
Tudo é veloz
quando sai
e quando
vem a nós:
espirro, tosse...
Esse pronome
indefinido
é o demonstrativo
de que nem adianta ter
o tal sentimento de posse.

Quem sou eu

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Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.