A mancha de vinho no lençol
não é apenas mancha de vinho.
É lembrança grudada
do que fomos,
e ainda somos.
A mancha do vinho no lençol
é o suco dos frutos
que plantamos, colhemos e amassamos.
É a marca do desespero
acalmado de
quando nos amansamos.
E de tão cheios de saúde,
querer ficar acamados.
A mancha de vinho no lençol
é nosso sangue estilizado,´
é a taça derramada pelas mãos trêmulas,
a prova da sede saciada.
A mancha de vinho no lençol
é lambança feita a dois,
é do nosso encontro o resumo.
Quando nus estamos é o que somos.
E ainda que eu não esteja
ou que você não venha,
a mancha de vinho
somos nós no lençol.
Somos sumos.
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
terça-feira, 9 de julho de 2013
Mulher de vida
Tinha luzes no cabelo,
alto falantes nos olhos,
vivia com lágrimas na boca,
soltava música pelo nariz.
Tinha a pele manchada de gritos,
o peito surdo de tanto ecoar
encontros
alto falantes nos olhos,
vivia com lágrimas na boca,
soltava música pelo nariz.
Tinha a pele manchada de gritos,
o peito surdo de tanto ecoar
encontros
e repercutir distâncias
Tinha mãos saciadas
de tanto deslizar carícias
Os pés que respiravam caminhos,
pernas que enxergavam qualquer
Os pés que respiravam caminhos,
pernas que enxergavam qualquer
som por perto
e um corpo que sentia até
o cheiro de uma dança distante.
A alma vivia suja
de amor,
mas o coração
era autolimpante.
de amor,
mas o coração
era autolimpante.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Esquadrão anti-bomba
Sempre achou que coração
fosse uma bomba relógio.
Por isso, toda vez que alguém provocava
uma pulsação desenfreada,
cuidava de desarmar
o artefato no peito.
Já estava especialista
em desfazer conexões
que fossem além de uma atração física.
Nada de química.
No máximo, sensações biológicas.
Até que um dia,
se perdeu entre suores
e espasmos corporais.
Começou a confundir
cansaço com satisfação,
desejo com adoração,
encontro marcado
com desespero cronometrado
segundo a segundo.
Vigilante atento,
não foi surpreendido pela paixão
à primeira vista.
Mas, quando deu por si,
já era ao mesmo tempo
sujeito e objeto da conquista.
Continuava a achar que coração
era uma bomba relógio.
Seria mais seguro ter um desarmado,
mais sensato um órgão desalmado.
Mas, agora era tarde:
a bomba estava ali, no colo.
Ele chegou a ouvir a explosão.
Voou pelos ares.
Desde então, passa os dias aos pedaços.
Já sabe que talvez nunca mais volte a ser inteiro.
Pelo menos, provou cientificamente
que não existe essa história de cara metade.
Descobriu, sem querer,
que a felicidade é um quebra-cabeças.
E o prazer está em procurar as peças.
Sempre achou que coração
fosse uma bomba relógio.
Por isso, toda vez que alguém provocava
uma pulsação desenfreada,
cuidava de desarmar
o artefato no peito.
Já estava especialista
em desfazer conexões
que fossem além de uma atração física.
Nada de química.
No máximo, sensações biológicas.
Até que um dia,
se perdeu entre suores
e espasmos corporais.
Começou a confundir
cansaço com satisfação,
desejo com adoração,
encontro marcado
com desespero cronometrado
segundo a segundo.
Vigilante atento,
não foi surpreendido pela paixão
à primeira vista.
Mas, quando deu por si,
já era ao mesmo tempo
sujeito e objeto da conquista.
Continuava a achar que coração
era uma bomba relógio.
Seria mais seguro ter um desarmado,
mais sensato um órgão desalmado.
Mas, agora era tarde:
a bomba estava ali, no colo.
Ele chegou a ouvir a explosão.
Voou pelos ares.
Desde então, passa os dias aos pedaços.
Já sabe que talvez nunca mais volte a ser inteiro.
Pelo menos, provou cientificamente
que não existe essa história de cara metade.
Descobriu, sem querer,
que a felicidade é um quebra-cabeças.
E o prazer está em procurar as peças.
fosse uma bomba relógio.
Por isso, toda vez que alguém provocava
uma pulsação desenfreada,
cuidava de desarmar
o artefato no peito.
Já estava especialista
em desfazer conexões
que fossem além de uma atração física.
Nada de química.
No máximo, sensações biológicas.
Até que um dia,
se perdeu entre suores
e espasmos corporais.
Começou a confundir
cansaço com satisfação,
desejo com adoração,
encontro marcado
com desespero cronometrado
segundo a segundo.
Vigilante atento,
não foi surpreendido pela paixão
à primeira vista.
Mas, quando deu por si,
já era ao mesmo tempo
sujeito e objeto da conquista.
Continuava a achar que coração
era uma bomba relógio.
Seria mais seguro ter um desarmado,
mais sensato um órgão desalmado.
Mas, agora era tarde:
a bomba estava ali, no colo.
Ele chegou a ouvir a explosão.
Voou pelos ares.
Desde então, passa os dias aos pedaços.
Já sabe que talvez nunca mais volte a ser inteiro.
Pelo menos, provou cientificamente
que não existe essa história de cara metade.
Descobriu, sem querer,
que a felicidade é um quebra-cabeças.
E o prazer está em procurar as peças.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Filtro ocular
No letreiro do ônibus,
está escrita em letras acesas
a palavra Esperança.
Muitos olham e lêem
apenas o nome de um bairro.
Alguns olham,
vêem a mesma palavra,
mas enxergam nela
a senha para uma outra viagem.
está escrita em letras acesas
a palavra Esperança.
Muitos olham e lêem
apenas o nome de um bairro.
Alguns olham,
vêem a mesma palavra,
mas enxergam nela
a senha para uma outra viagem.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Antecipação
Percebeu que o outro
precisava de um tempo
e deu espaço,
sentiu falta,
ficou doente
e se internou mentalmente.
Hibernou em pleno verão
numa caverna pós-moderna,
forrada com isolante acústico:
sem eco,
sem sons de batimentos do coração.
Fechou todos as frestas
para impedir a entrada
de qualquer sentimentalismo barato.
Ainda que isso lhe custasse caro.
precisava de um tempo
e deu espaço,
sentiu falta,
ficou doente
e se internou mentalmente.
Hibernou em pleno verão
numa caverna pós-moderna,
forrada com isolante acústico:
sem eco,
sem sons de batimentos do coração.
Fechou todos as frestas
para impedir a entrada
de qualquer sentimentalismo barato.
Ainda que isso lhe custasse caro.
sábado, 22 de junho de 2013
A lagoa
Pelas beiradas,
o girino passeia
na parte mais mansa da lagoa.
Pelas madrugadas,
o sapo bêbado doma
a hostilidade da noite.
Enluarada,
a lagoa esfinge:
ora, um espelho morto;
ora, um reflexo vivo
e em segundos,
uma gota sólida
invade o espírito da água.
Realiza o sonho,
quem conseguir decifrar o leito
antes do amanhecer.
o girino passeia
na parte mais mansa da lagoa.
Pelas madrugadas,
o sapo bêbado doma
a hostilidade da noite.
Enluarada,
a lagoa esfinge:
ora, um espelho morto;
ora, um reflexo vivo
e em segundos,
uma gota sólida
invade o espírito da água.
Realiza o sonho,
quem conseguir decifrar o leito
antes do amanhecer.
Da desnecessidade de escrever
Pensei em dizer umas coisas
Já quis cantar uma música,
que fizesse sonhar.
Mas já existe o
sobre a vida, sobre o mundo
mas Sócrates, Aristóteles e Platão
mas Sócrates, Aristóteles e Platão
já disseram quase tudo.
Tive a ideia
de investigar o que sou,
Tive a ideia
de investigar o que sou,
de onde vim,
o que penso, o que sinto,
o que penso, o que sinto,
pra onde vou.
Mas a filosofia
Mas a filosofia
adivinhou meu
questionamento
Já quis cantar uma música,
que fizesse sonhar.
Mas já existe o
Mílton Nascimento!
Para a mente criar asa,
preciso vestir bem as palavras
antes de elas saírem de casa.
Mas, é preciso cuidado,
para que a ideia,
Para a mente criar asa,
preciso vestir bem as palavras
antes de elas saírem de casa.
Mas, é preciso cuidado,
para que a ideia,
de ponte
não vire muralha
E Belchior
já avisava:
palavras são navalhas.
Seja então minha alma
como a de Chico Xavier,
mestre em acender luzes,
em tirar o peso das cruzes.
Foi então que rascunhei
já avisava:
palavras são navalhas.
Seja então minha alma
como a de Chico Xavier,
mestre em acender luzes,
em tirar o peso das cruzes.
Foi então que rascunhei
umas frases.
Quem sabe eu criaria
Quem sabe eu criaria
uma obra relevante?
Mas para que?
Já tenho um
Já tenho um
Guimarães Rosa
na estante.
Só me resta reconhecer que nada sei.
Mas até isso, Sócrates já disse antes.
Só me resta reconhecer que nada sei.
Mas até isso, Sócrates já disse antes.
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.