terça-feira, 6 de novembro de 2012

Adiamentos

Um precisava fazer,
outro queria dizer.
Não disse.
Não fez.

Outras noites vieram.
Ações e palavras
adormeceram.

Durante o dia,
intenções,
ensaios.

Um dia sai.
Um dia, agora vai..
Um dia, acontece.

domingo, 14 de outubro de 2012

Elogio da sombra

Onde há sombra,
há árvore.

Se árvore existe,
os pássaros voam
e têm onde morar
e se abrigar quando chove.

Se há sombra,
é porque o sol brilha
entre construções
e a mansidão
vai sombreando
entre os quarteirões,
reproduzindo prédios
em diagonal,
distorcendo o espelho.

E no meio da noite,
lá vem a sombra
do lado,
à frente,
atrás.

Vem a sombra,
fantasma de uma luz
que ainda não jaz.

Bendita sombra,
sinal de que a escuridão
já não é tão mais.

O fim do mundo



Já tive pavor
de imaginar 
o fim do mundo,
mas o tempo 
passou,
o dia tão temido 
não chegou 
e eu acabei 
perdendo o medo. 

Agora, são muitos
mundos.
Quando um deles se acaba,
eu começo a viver em outro
em poucos segundos.

domingo, 2 de setembro de 2012

Atacado e varejo

Mesmo quando se defendia,
dizia coisas por atacado.
Quando atacava,
distribuía olhares a varejo,
como se ao girar a metralhadora,
diluísse a munição
para não ferir ninguém

Só se sentia vencedor,
quando podia distribuir
abraços a granel.

Na alegria,
chorava em grãos.
Na tristeza,
não chorava 
e nem ria

Mas sem destino
e sem desatino
Ia por um caminho,
retornava por outra via.
   
Muitas vezes,
desestradava,
desnorteado.

Mas perder-se
era o de menos;
não gostava de
ser achado.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Do fogo

Nariz com nariz,
um jogo de espelho.

Do olho,
um brilho vermelho
escorre.

Ninguém nem pisca.

Mas no miolo,
no olho do furacão
daquele abraço,
sai faísca,

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Na alegria e na tristeza

Quando ela e ele
viviam juntos para sempre,
fizeram um acordo verbal
de não agressão.
Um dos itens que mais
levavam a sério
era não se parabenizarem
no dia do aniversário

E quando se separaram,
fizeram questão de
manter o contrato

Fingir que esqueceu
era a maneira torta
de cada um dizer
que se lembrou do outro

Se ainda era resquício
de algum amor?
Não sabiam,
não se perguntavam

Mas, era um jeito
que eles tinham
de ser para sempre.

Passarilho

Não é que andasse devagar,
andava a vagar.

Não que demorasse
a processar a escolha
de um rumo a seguir

estava mais para buscar
um descaminho

Não que vivesse no
mundo da lua
ou voasse

O sol já lhe derretera
qualquer tentativa
de ter asas

E embora não parasse
de jeito nenhum no ninho,
era um mistério:

tinha um não sei que
de passarinho


Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.