segunda-feira, 4 de junho de 2012

O telefone


Ela não me liga,
mas eu ouço vozes
pergunto: quem é?
Alguém diz: cruzes!
Pergunto: onde?
Ninguém responde.




Volta na chave

Dou uma volta na chave,
um passeio na rua,
duas voltas na praça,
sem a chuva prevista,
tomo um banho de lua

Tomo um chá de cadeira no bar,
a noite nem parece ter pressa
faz que vai me esperar
e me tirar pra dançar

Mas, não dá tempo
de todo o ritual se cumprir
é chegada a hora de dormir
se é que você dorme,
se é que você me entende

Então, vamos embora,
vou dar a volta contrária na chave
e resumir o discurso que ensaiei
e vamos lá, com um certo cuidado,
que o sol tem sono leve
Vamos amar adoidado

Mas pra nós sermos livres,
só se for de almas abertas,
corpos colados
e a porta trancada.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Choro no espelho

Chorou,
olhou no espelho,
acompanhou o pequeno e efêmero 
córrego que a lágrima lhe formou no rosto
Até sentiu o gosto salgado

- é o sal da vida, pensou!

Deu de ombros para o espelho
deu um leve sorriso
e pranto final

Da próxima vez que chorar,
já vai ser por um outro motivo,
uma nova história.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sob medida

Na minha cara,
cabem todas as verdades que me jogarem

No meu armário do tempo,
não há bombas a ser desarmadas,
nenhum grande mistério
Só destroços de memória,
restos mortais de amores
e ossos de histórias,
que ainda até posso contar

Na minha casa,
cabem todos os fantasmas camaradas,
coloridos e invisíveis

Nas minhas asas,
sobe toda a carga dos anos
Mas, como o tempo não para,
tempo não pesa

 

sábado, 26 de maio de 2012

Letra, palavra e frase

O desejo secreto da frase
era não ser mais do que uma simples palavra

Para a palavra,
bastava ser uma letra

A letra queria ser menos ainda:
um acento,
uma vírgula,
um pingo

Mas, aí, ela
continuaria sendo letra,
a letra i

Frase, palavra e letra
queriam ser apenas um sinal gráfico,
um rabisco que dançasse
ou fizesse cantar,
um código mágico e universal

Mas, frase, palavra e letra
já se conformaram em ser o que são
pois o que elas queriam ser
já existe:
é a nota musical

Mas, quem pensou que fim
dessa história fosse de frustração,
ainda não percebeu
que toda vez que alguém assobia
uma melodia,
ou toca um
instrumento,
letra, palavra e frase pegam
carona na música

e é assim que o sonho
se faz
e se refaz todo dia.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Língua em trânsito

Acordou e pensou:
-  que trânsito tenso!

Olhou para o tempo
viu um barco que voa
um pássaro à toa
um avião que boia
um carro que anda
um sujeito que corre
um objeto que morre

E se perguntou:
- quem é que socorre a frase?

Percebeu que estava ficando louco
tinha pavor de morrer de acidente
medo de dar com a língua portuguesa nos dentes
e marcou consulta no psicólogo.

Não via a hora de se deitar no divã
e fazer análise sintática

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Honra ao mérito

Precisava ser paparicado,
precisava ouvir boas palavras
mas não tinha feito por merecer

Nada mais sólido e palpável
do que aquela solidão

nada mais subjetivo
do que a espera pela quebra
da monotonia do quarto escuro

nada mais insone
do que as imagens
arremedo de esperança

nada de pena de si mesmo
nem de ácool para aliviar sintomas
toda aquela dor no peito
era medalha pendurada
de honra ao mérito

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.