O desejo secreto da frase
era não ser mais do que uma simples palavra
Para a palavra,
bastava ser uma letra
A letra queria ser menos ainda:
um acento,
uma vírgula,
um pingo
Mas, aí, ela
continuaria sendo letra,
a letra i
Frase, palavra e letra
queriam ser apenas um sinal gráfico,
um rabisco que dançasse
ou fizesse cantar,
um código mágico e universal
Mas, frase, palavra e letra
já se conformaram em ser o que são
pois o que elas queriam ser
já existe:
é a nota musical
Mas, quem pensou que fim
dessa história fosse de frustração,
ainda não percebeu
que toda vez que alguém assobia
uma melodia,
ou toca um
instrumento,
letra, palavra e frase pegam
carona na música
e é assim que o sonho
se faz
e se refaz todo dia.
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
sábado, 26 de maio de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Língua em trânsito
Acordou e pensou:
- que trânsito tenso!
Olhou para o tempo
viu um barco que voa
um pássaro à toa
um avião que boia
um carro que anda
um sujeito que corre
um objeto que morre
E se perguntou:
- quem é que socorre a frase?
Percebeu que estava ficando louco
tinha pavor de morrer de acidente
medo de dar com a língua portuguesa nos dentes
e marcou consulta no psicólogo.
Não via a hora de se deitar no divã
e fazer análise sintática
- que trânsito tenso!
Olhou para o tempo
viu um barco que voa
um pássaro à toa
um avião que boia
um carro que anda
um sujeito que corre
um objeto que morre
E se perguntou:
- quem é que socorre a frase?
Percebeu que estava ficando louco
tinha pavor de morrer de acidente
medo de dar com a língua portuguesa nos dentes
e marcou consulta no psicólogo.
Não via a hora de se deitar no divã
e fazer análise sintática
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Honra ao mérito
Precisava ser paparicado,
precisava ouvir boas palavras
mas não tinha feito por merecer
Nada mais sólido e palpável
do que aquela solidão
nada mais subjetivo
do que a espera pela quebra
da monotonia do quarto escuro
nada mais insone
do que as imagens
arremedo de esperança
nada de pena de si mesmo
nem de ácool para aliviar sintomas
toda aquela dor no peito
era medalha pendurada
de honra ao mérito
Precisava ser paparicado,
precisava ouvir boas palavras
mas não tinha feito por merecer
Nada mais sólido e palpável
do que aquela solidão
nada mais subjetivo
do que a espera pela quebra
da monotonia do quarto escuro
nada mais insone
do que as imagens
arremedo de esperança
nada de pena de si mesmo
nem de ácool para aliviar sintomas
toda aquela dor no peito
era medalha pendurada
de honra ao mérito
terça-feira, 27 de março de 2012
Dois pássaros e um cachorro
Ilusão nem bem pousou
na palma da minha mão
e já bateu asas.
Pior, faz o Amor,
esse pássaro arisco.
Não aparece mais
nem para catar os grãos
de alpiste
que espalho na varanda.
Ainda bem que existe
uma cadelinha vira-latas,
que mora uns tempos comigo,
passa uns meses fora,
mas sempre retorna.
O nome dela é Paixão.
O único problema é
essa vira-latez:
basta um descuido
e lá se foi ela
embora outra vez.
na palma da minha mão
e já bateu asas.
Pior, faz o Amor,
esse pássaro arisco.
Não aparece mais
nem para catar os grãos
de alpiste
que espalho na varanda.
Ainda bem que existe
uma cadelinha vira-latas,
que mora uns tempos comigo,
passa uns meses fora,
mas sempre retorna.
O nome dela é Paixão.
O único problema é
essa vira-latez:
basta um descuido
e lá se foi ela
embora outra vez.
sábado, 17 de março de 2012
No fim das contas
O sujeito
levava jeito
lavava a jato
enxugava a ferro
assinava em branco
pintava o sete
corava a cara
era o manda-chuva
tirava onda
morria de medo de avião
mas vivia no mundo da lua
De tempos em tempos,
mudava de casa
piscava pro olho da rua
namorava quem passava
casava com quem ria
dormia com quem chorava
acordava de cabeça cheia,
peito vazio
Fazia silêncio nas brigas,
gritava pedindo pra fazer as pazes
e se calava para ouvir vozes
do além,
do aquém,
do talvez,
de ninguém.
Sempre,
no fim das contas,
trocava o som pelo gesto
o todo pelo resto
o corpo do desejo
pelo rosto do beijo
No fim das contas,
lá pelas tantas,
trocava seis por meia dúzia,
fazia concha com as mãos
para colher pingos de chuva
e colocar os pingos nos is.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Encontros e perdas
O barco desnorteado
sem rumo
o barqueiro remou
para o sul
a vida desbotada
sem tons
o vivente se pintou
de azul
Sobreviveu
remou
achou o norte
o doce
e o sal
flertou com
a morte
chorou
com a lua
dormiu ao sol
sorriu na rua
para qualquer um
de qualquer jeito
caminhou
e fazia assim
toda vez que não
sabia aonde ir
saía por aí
até que um dia
se perdeu tanto de si
que não sabia mais voltar
para sempre estava só
e foi aí que se encontrou inteiro
para nunca mais.
sem rumo
o barqueiro remou
para o sul
a vida desbotada
sem tons
o vivente se pintou
de azul
Sobreviveu
remou
achou o norte
o doce
e o sal
flertou com
a morte
chorou
com a lua
dormiu ao sol
sorriu na rua
para qualquer um
de qualquer jeito
caminhou
e fazia assim
toda vez que não
sabia aonde ir
saía por aí
até que um dia
se perdeu tanto de si
que não sabia mais voltar
para sempre estava só
e foi aí que se encontrou inteiro
para nunca mais.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Diálogo no ônibus III
- Por favor, o senhor pode sentar!
- Ah, muito obrigado, meu filho! Eu agradeço, mas vou continuar de pé, não se preocupe.
- Não, mas eu faço questão. Já me levantei para o senhor sentar!
- Não, não, não! Eu vou continuar de pé! Está bom assim! E você está me chamando de velho? Puxa! Hoje em dia, ninguém mais respeita a gente! Que absurdo!
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.