terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Diálogo no ônibus

- Oi
- Oi
- Você está morando aqui agora?
- Sempre morei.
- Uai, é?
- Sim
- Achei que você tivesse ido para os Estados Unidos
- Não
- Mas, fiquei sabendo que você tinha sido deportado!
- Não, não fui. Nunca saí do Brasil.
- Não?
- Não.
- Você não é o Marcos, filho da Dona Zefa?
- Não. Meu nome é Pedro.
- Puxa! Por que não falou antes? Pensei que você era o Marcos
- Uai, você não perguntou...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Segundas intenções

Um boa-tarde
com segundas intenções?

Um sorriso
com segundas intenções?

Um presente,
um empréstimo,
um elogio,
um favor,
tudo com segundas intenções?

Não se preocupe,
não se culpe

Desconfio de que
muitas coisas boas do mundo
não surgem de primeira

belas noitadas de sexo,
amizades sinceras
e até grandes amores
nascem
das segundas intenções.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Falando em ser livre

Não me venha
falar de liberdade,
se você não tem coragem
de sair descalço pela rua
num sábado à tarde

O crente

Ele se dizia
crente
mas de vez
em quando perdia
a fé
E se achava doente
da cabeça
perdia o pé de apoio
pedia socorro
gritava ai meu Deus
o que eu fiz
o que eu faço
E se dizia crente
rezava
orava
jejuava
protestava
era um protestante
que não ia à igreja
passava longe do bar
vivia perto do mar
mas, tinha medo da
onda
e preferiu ficar
onde está.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bichinho de pelúcia

Ele nunca entendera
esses casais
que ao término da relação,
destrocam os presentes.

Mas, um dia,
ao visitar a casa
do ex-amor,
descobriu,
na área de serviço,
em meio a um monte de entulhos,
o ursinho de pelúcia
que ele lhe dera quando namoravam.

Num impulso,
guardou o bichinho na mochila.

Pegar o presente de volta
não era sintoma de que
desejasse o passado
de volta,
visto ser essa uma ideia sem futuro.

Salvar do abandono
o ursinho de pelúcia
era salvar um sentimento sem nome:
nostalgia,
esperança
e pena?

Ou ao querer ficar com
o bichinho,
tinha ele, talvez,
a mesma motivação
do especialista
ao eleger as peças
que merecem
morar no museu?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A que ponto chegamos

A que ponto chegamos
no caminho entre a teoria
e a prática
a vida deixou sem base
nossa retórica

a que ponto chegamos
mudamos o rumo
sem pular de fase
e ainda há muitas vírgulas
querendo um lugar na frase

e de alguns pontos
nem sequer passamos

sobre a morte
ainda se fazem teses
e no fim,
o mesmo ponto
de interrogação

a algum ponto chegamos
e toda vez que deliramos,
pensando ser o ponto final,
recobramos a consciência
para ver que ainda faltam
dois para se completar a reticência

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu te...

Estou louco para dizer
mas talvez não diga

Meus pés querem ir
minhas mãos querem tocar
minha pele quer sentir
o coração segue na frente
mostrando caminhos
mas não ensina a chegar
e nem aceita voltar

Eu quero ir
a frase está prestes a sair
e está entre o sopro suave
e o grave explodir

Eu quero falar
mas talvez não diga
Estou pronto pra ir
(pronto?)
mas talvez não siga

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.