domingo, 6 de novembro de 2011

Eu te...

Estou louco para dizer
mas talvez não diga

Meus pés querem ir
minhas mãos querem tocar
minha pele quer sentir
o coração segue na frente
mostrando caminhos
mas não ensina a chegar
e nem aceita voltar

Eu quero ir
a frase está prestes a sair
e está entre o sopro suave
e o grave explodir

Eu quero falar
mas talvez não diga
Estou pronto pra ir
(pronto?)
mas talvez não siga

domingo, 23 de outubro de 2011

Chuva na mão

A chuva
cai
como uma luva
ao cair da tarde
ao adormecer das tensões
e alardes

A chuva serve
para malhar o verde
Quem não pode ver
talvez escute

quem não pode vir
se eu quiser
a chuva traz

E quando a chuva
está
cheiros se levantam
poeiras baixam

Quando a chuva
vai
eu fico aqui
a mastigar luas
a fustigar estrelas
a investigar silêncios

domingo, 31 de julho de 2011

Um caso de cor

Morou numa casa
com paredes cor de laranja

Nos sonhos, o céu mudava
de cor
era de acordo
com a história que
os olhos resumiam

Tinha uma coisa
com a cor negra,
gostava de preencher
o olhar
com alguém de pele escura

queria ter (e tinha!)
um caso
com a cor negra!

sábado, 23 de julho de 2011

Breu

Esse breu sou eu
porque quando escurece
é aí que tudo se esclarece
em mim

é um escuro
que não tem nada a ver
com falta de luz
mas com a luz negra
que vem da África

Esse breu sou eu
nessa escuridão
eu me reconheço

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Medo de que?

Medo da morte?
Tome aqui esse trevo da sorte.

Medo da vida?
Tome esse cálice.

Medo do azar?
preencha logo esse
cartão de loteria.

Tem um modo de pensar?
Desmonte as peças,
comece tudo de novo.

Medo do silêncio?
Não diga nada.
Se quiser, não siga,
não pare.
Se o bicho pegar,
dispare.

domingo, 3 de julho de 2011

Cabelos brancos

Cabelos brancos
no rosto bronco

de quem já não tem tanta paciência

um fio curto

agarrado no brinco



cabelos brancos

no sorriso amarelo

da vida quase indo



cabelos brancos

quase sorrindo

na memória da avó

que soltava os dela

e virava a louca na sala

na rua

e ficava rouca

de dizer as frases

truncadas pela cabeça cansada



cabelos brancos

do homem preto

a descansar os ombros

do peso de ter de renascer

todo dia



um fio longo de cabelo branco

no prato

um fio longo

no retrato

a tecer

um caráter reto

feito num sinuoso caminho



Os cabelos brancos

brotam em mim desde

os vinte e poucos



hoje,

já são muitos

cabelos brancos



têm algo de triste

mas são bonitos

cabelos brancos

parecem ser a

nossa primeira vestimenta

para entrar no outro mundo.




terça-feira, 14 de junho de 2011

Dor de cor

Eu sei de cor
essa cor

ela tem som
de lamentos

tem dons
diversos
rende prosa
e verso

Inspira
talentos
transpira
tristeza
mas respira
justiça
e esperança

É uma cor
que sua

e tinge
minha alma
de uma luz
que eu não tinha

Conheço a geografia
dessa dor histórica

Mas também
Sei do prazer
de sentir
pulsar as veias

ao me ver
vestido por
esse tom de pele.

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.