domingo, 31 de julho de 2011

Um caso de cor

Morou numa casa
com paredes cor de laranja

Nos sonhos, o céu mudava
de cor
era de acordo
com a história que
os olhos resumiam

Tinha uma coisa
com a cor negra,
gostava de preencher
o olhar
com alguém de pele escura

queria ter (e tinha!)
um caso
com a cor negra!

sábado, 23 de julho de 2011

Breu

Esse breu sou eu
porque quando escurece
é aí que tudo se esclarece
em mim

é um escuro
que não tem nada a ver
com falta de luz
mas com a luz negra
que vem da África

Esse breu sou eu
nessa escuridão
eu me reconheço

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Medo de que?

Medo da morte?
Tome aqui esse trevo da sorte.

Medo da vida?
Tome esse cálice.

Medo do azar?
preencha logo esse
cartão de loteria.

Tem um modo de pensar?
Desmonte as peças,
comece tudo de novo.

Medo do silêncio?
Não diga nada.
Se quiser, não siga,
não pare.
Se o bicho pegar,
dispare.

domingo, 3 de julho de 2011

Cabelos brancos

Cabelos brancos
no rosto bronco

de quem já não tem tanta paciência

um fio curto

agarrado no brinco



cabelos brancos

no sorriso amarelo

da vida quase indo



cabelos brancos

quase sorrindo

na memória da avó

que soltava os dela

e virava a louca na sala

na rua

e ficava rouca

de dizer as frases

truncadas pela cabeça cansada



cabelos brancos

do homem preto

a descansar os ombros

do peso de ter de renascer

todo dia



um fio longo de cabelo branco

no prato

um fio longo

no retrato

a tecer

um caráter reto

feito num sinuoso caminho



Os cabelos brancos

brotam em mim desde

os vinte e poucos



hoje,

já são muitos

cabelos brancos



têm algo de triste

mas são bonitos

cabelos brancos

parecem ser a

nossa primeira vestimenta

para entrar no outro mundo.




terça-feira, 14 de junho de 2011

Dor de cor

Eu sei de cor
essa cor

ela tem som
de lamentos

tem dons
diversos
rende prosa
e verso

Inspira
talentos
transpira
tristeza
mas respira
justiça
e esperança

É uma cor
que sua

e tinge
minha alma
de uma luz
que eu não tinha

Conheço a geografia
dessa dor histórica

Mas também
Sei do prazer
de sentir
pulsar as veias

ao me ver
vestido por
esse tom de pele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A fruta proibida

A maçã
perdeu o posto
de fruta proibida.

Culpa
da sua nudez
sem graça
da carne
sem mucosas
a se oferecer
a mordidas
sem caldo
escorrendo
pelos braços

A fruta
proibida
objeto
dos desejos
de Adão e Eva
e dos caprichos
da serpente
agora e sempre
é o caqui

com sua roupa
sensual,
sua polpa
suculenta,
quase uma boca
molhada
a sussurar:
- coma-me!

Foi o pedagogo
Rubem Alves
quem descobriu
as insinuações
pecaminosas
do caqui

e colocou
mais tentatação
no Jardim do Éden

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Os pontos

Estou triste 
estou traste
 morri cedo
 já é tarde
 e eu nem sei

 Eu vou certo
 de que estou 
no caminho de ser
 quem eu sempre
 soube que seria

 Eu vou longe
 ao pensar num jeito
 de subir 
ao décimo andar 
da memória
 sem ter a vontade 
de me atirar
 e fazer mais rápido
 a cena da queda
 mas não há mais 
escada
 nem retorno possível
 ao ponto de partida

 todas as pontes eram 
só de ida 
 não sobrou
 nem mais interrogação
 todos os pontos,
 agora, são reticências...

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.