A maçã
perdeu o posto
de fruta proibida.
Culpa
da sua nudez
sem graça
da carne
sem mucosas
a se oferecer
a mordidas
sem caldo
escorrendo
pelos braços
A fruta
proibida
objeto
dos desejos
de Adão e Eva
e dos caprichos
da serpente
agora e sempre
é o caqui
com sua roupa
sensual,
sua polpa
suculenta,
quase uma boca
molhada
a sussurar:
- coma-me!
Foi o pedagogo
Rubem Alves
quem descobriu
as insinuações
pecaminosas
do caqui
e colocou
mais tentatação
no Jardim do Éden
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Os pontos
Estou triste
estou traste
morri cedo
já é tarde
e eu nem sei
Eu vou certo
de que estou
no caminho
de ser
quem eu sempre
soube que seria
Eu vou longe
ao pensar
num jeito
de subir
ao
décimo andar
da memória
sem ter a vontade
de me atirar
e fazer mais
rápido
a cena
da queda
mas não
há mais
escada
nem retorno
possível
ao ponto de partida
todas as pontes
eram
só de ida
não sobrou
nem
mais interrogação
todos os pontos,
agora,
são reticências...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Alívio imediato
Extrair, não.
Distrair a paixão (ardente),
Dor de dente,
Para ela se esquecer de doer.
Preço e prazo
Uns tinham pressa
De ser feliz
Outros sabiam
Onde ficava a praça
Às vezes, isso basta
Aos domingos,
Dava pra ser feliz ali
Outros tinham prosa
E poesia
Ora usavam uma
Ora escreviam outra
E recitavam alguma
Angústias existenciais
Se desfaziam no meio
das frases e dos versos
Era possível perceber
Um arzinho de felicidade
Na brisa de rimas fáceis
e nas estrofes sem inspiração
O momento de ser
Feliz era fácil perceber
E nem carecia
controle
De qualidade
Mas, riso fácil e
Alegria em estado
Bruto e rico
Tinham prazo de validade
Por isso, a necessidade:
Aproveitar
Cada segundo
Das paixões
À primeira vista
19/2/2011 e 19/3/2011
De ser feliz
Outros sabiam
Onde ficava a praça
Às vezes, isso basta
Aos domingos,
Dava pra ser feliz ali
Outros tinham prosa
E poesia
Ora usavam uma
Ora escreviam outra
E recitavam alguma
Angústias existenciais
Se desfaziam no meio
das frases e dos versos
Era possível perceber
Um arzinho de felicidade
Na brisa de rimas fáceis
e nas estrofes sem inspiração
O momento de ser
Feliz era fácil perceber
E nem carecia
controle
De qualidade
Mas, riso fácil e
Alegria em estado
Bruto e rico
Tinham prazo de validade
Por isso, a necessidade:
Aproveitar
Cada segundo
Das paixões
À primeira vista
19/2/2011 e 19/3/2011
Elegia do velho
As velhas casas
Velhas mulheres
os homens de idade
nos ensinam coisas novas
Os velhos tempos
Velhos espaços
Os estilhaços
De um vidro que não se
Fabrica mais
Os velhos templos
As velhas e novas crenças
Os velhos alegres
que se fingem de bobos da corte
só pra ver os jovens sorrirem
os velhos sem sorte
e sem sorrisos
Mas, até os velhos tristes
são bons de papo
e revelam segredos
De vida e morte
Os velhos amados
E até os abandonados
Sabem ensinar coisas novas.
19/2/2011 e 19/3/2011
Velhas mulheres
os homens de idade
nos ensinam coisas novas
Os velhos tempos
Velhos espaços
Os estilhaços
De um vidro que não se
Fabrica mais
Os velhos templos
As velhas e novas crenças
Os velhos alegres
que se fingem de bobos da corte
só pra ver os jovens sorrirem
os velhos sem sorte
e sem sorrisos
Mas, até os velhos tristes
são bons de papo
e revelam segredos
De vida e morte
Os velhos amados
E até os abandonados
Sabem ensinar coisas novas.
19/2/2011 e 19/3/2011
O samba e o morro
Viver
A gente aprende na marra
Não é só escapar da morte
Nem viver pedindo socorro
Sambar
Só se aprende no morro
Não basta ensaiar o passo
Só é bom de samba
Quem já não precisa mais
De esforço
O corpo vai sozinho
Coração na marcação
E ali já está a alma
Bem na frente da comissão
Sambar bem
a gente aprende no morro
Sobreviver sem quase nada
E entrar na vida com tudo
É lição que vem do morro
E só quem sobe e desce
E sobe de novo
Entende o jeito do povo
De não deixar o samba morrer
Quem desce e sobe
E desce de novo
Já sabe subir sozinho
Já sabe sambar sozinho
Mas toda vez que for sambar
Vai querer subir a ladeira
Pois o melhor sambista
A vida mais companheira
Está lá na cidade alta
Quem sobe e desce
E sobe de novo
Já se encantou
pela beleza do povo
Pode até descer
Mas já sabe
amar o morro
Velocidades
É preciso morrer outras vezes
E viver no mesmo corpo
Com outras vozes
E correr contra o espaço
E parar somente quando o tempo
Abrir os braços
E medir a qualidade da fala
Pelo gosto da saliva
Existir suavemente
Sem pressa
Mas, até sair em disparada
Quando encontrar uma perna de vento
6/2 e 4/3/2011
E viver no mesmo corpo
Com outras vozes
E correr contra o espaço
E parar somente quando o tempo
Abrir os braços
E medir a qualidade da fala
Pelo gosto da saliva
Existir suavemente
Sem pressa
Mas, até sair em disparada
Quando encontrar uma perna de vento
6/2 e 4/3/2011
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.