De quatro em quatro anos, de cinco em cinco, de três em três... Depende do curso. A cada vestibular, os aprovados formam uma nova turma. No fim do curso, essa mesma turma se forma outra vez. E assim, o verbo formar tem emprego garantido, tanto na entrada como na saída do estudante da faculdade.
E não é que a vida é uma sequência de formaturas? O bebê recém nascido começou a se formar nove meses antes, quando um espermatozoide valente venceu a corrida e se encontrou com um óvulo e os dois formaram um ovo, que virou embrião e... você sabe. Aliás, essa brincadeira começou mesmo mais cedo, quando homem e mulher formaram um casal, que se acertou na cama e deu no que deu!
Depois do nascimento, começa um processo que vai acabar também em formatura! Pai e mãe de primeira viagem aprendem, em pleno voo, a pilotar esse avião, chamado família! Meu Deus! É menino querendo mamar, a chorar, a espernear, a aprender a falar, a cair para aprender a andar. E aí, pronto! Quatro anos se passaram, cinco, seis, sete... E o diploma? Não vão entregar para os pais? Nada disso. Está pensando que formar um filho é simples assim, como formar um jornalista, um médico ou um advogado? Não dá para fazer artigo científico ou monografia sobre a profissão de pai ou mãe sem que se passe pela fase da adolescência. Haja bibliografia, haja regras para ser descartadas, substituídas, reinventadas. Normas da ABNT? De nada valem. Dicas da revista Nova, da Pais e Filhos, do programa de TV, da Super Nany? Já não é mais bibliografia, é multimidiografia! E mesmo assim, sempre vem a conclusão de que é cedo para entregar o diploma aos pobres pai e mãe! E mais cedo ainda para entregar o canudo para os filhos.
Ao passar da infância para a adolescência e daí para a fase adulta, o homo sapiens participa de algumas formaturas na escola! As fotos não deixam mentir: formatura na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio, na faculdade!
E assim, caminha o formando! Nessa espécie de existencialismo gerundista. Está sempre indo, ensinando e aprendendo, conquistando, decepcionando-se, surpreendendo-se!E acaba por se formar várias vezes, sem solenidades. Ou você se lembra com precisão do dia e da hora da formatura dessa pessoa aí, que as outras pessoas chamam de você?Em algum instante, o verbo formar ganhou o prefixo trans e a gente virou isso que a gente é.
Ainda hoje, às 8h32min, ou amanhã, às 11h25min, ou quem sabe, exatamente agora, você pode estar colando grau. O mestre de cerimônias chama-se Tempo. Preste atenção, quando ele chamar o seu nome, suba ao palco e saboreie os aplausos!
Este é um blog teste. Com a pretensão de abrigar textos, poemas, crônicas...
domingo, 12 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Alma, voz e amor
Sua voz
tão mineira
era quase melodia
de festival
Sua
alma de
corpo inteiro
é leve
e densa
e tão
imensa
quanto um
sem fim de cafezal
seu amor
por mim
era maneiro
tão forte
e intenso
mas tão passageiro
feito
paixão de carnaval.
tão mineira
era quase melodia
de festival
Sua
alma de
corpo inteiro
é leve
e densa
e tão
imensa
quanto um
sem fim de cafezal
seu amor
por mim
era maneiro
tão forte
e intenso
mas tão passageiro
feito
paixão de carnaval.
sábado, 16 de outubro de 2010
Será?
Dizer tudo o que se quer
faz parte da receita
para ser feliz?
Pensar bem
antes de falar
dá a certeza
de saber mesmo
o que se diz?
E ficar em silêncio?
É mesmo sinal
de sabedoria?
Em qualquer
situação?
faz parte da receita
para ser feliz?
Pensar bem
antes de falar
dá a certeza
de saber mesmo
o que se diz?
E ficar em silêncio?
É mesmo sinal
de sabedoria?
Em qualquer
situação?
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Arquivo
Morri
porque
sabia demais
sobre mim mesmo
Não foi suicídio
foi queima de
arquivo
mas, o pior
é que antes
do terceiro dia,
descobri
que ainda estava vivo
Agora
só pedindo proteção
à polícia
mas, não
sei quem é mais perigoso:
o eu que me matou
ou o eu que ressuscitou.
porque
sabia demais
sobre mim mesmo
Não foi suicídio
foi queima de
arquivo
mas, o pior
é que antes
do terceiro dia,
descobri
que ainda estava vivo
Agora
só pedindo proteção
à polícia
mas, não
sei quem é mais perigoso:
o eu que me matou
ou o eu que ressuscitou.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
A volta
Voltou.
Para rever,
abraçar,
olhar nos olhos,
pra contar
por onde andou
e por que fez isso
não fez aquilo
falar
por que não
voltou antes
por que só agora
e só depois
de parecer
que não viria mais
voltou
pra dizer
que mora na mesma casa
mas vai mudar
de vida
de rumos
voltou
e essa volta
mudou o meu dia
para sempre.
Para rever,
abraçar,
olhar nos olhos,
pra contar
por onde andou
e por que fez isso
não fez aquilo
falar
por que não
voltou antes
por que só agora
e só depois
de parecer
que não viria mais
voltou
pra dizer
que mora na mesma casa
mas vai mudar
de vida
de rumos
voltou
e essa volta
mudou o meu dia
para sempre.
domingo, 12 de setembro de 2010
Como diria Dostoievsky
Lembranças
dos nossos erros
são mesmo
os piores castigos
até alguns
dos piores crimes
prescrevem
com o tempo
caem no esquecimento
escapam das punições
Mas, a memória
é o palco
onde tudo
se reencena
foi só um momento
foi um segundo
apenas
e mesmo
que o mundo
nem saiba
todo dia
cumprimos
a pena
vamos
e voltamos
livremente
mas a
cada instante
fantasmas
no salão escuro do júri
nos julgam
e nos condenam.
dos nossos erros
são mesmo
os piores castigos
até alguns
dos piores crimes
prescrevem
com o tempo
caem no esquecimento
escapam das punições
Mas, a memória
é o palco
onde tudo
se reencena
foi só um momento
foi um segundo
apenas
e mesmo
que o mundo
nem saiba
todo dia
cumprimos
a pena
vamos
e voltamos
livremente
mas a
cada instante
fantasmas
no salão escuro do júri
nos julgam
e nos condenam.
domingo, 5 de setembro de 2010
Segundo tempo
Abri espaço
e o tempo passou
mas sem essa
de que eu nem vi
vi e anotei
só desconfio
que pouco aprendi
voltei no tempo
e reparei
nos espaços
vagos
e até nos lugares
preenchidos
ri ao me ver
chorando em
alguns monólogos
sem nem plateia
já faz tempo
compreendi
quando não se
sabe mais o que
fazer
é só dar tempo
é só dar espaço
que ele passa
descobri:
o segundo nome
do tempo
é vento
no segundo tempo
do jogo,
não vem a virada
vem calmaria
e o tempo passou
mas sem essa
de que eu nem vi
vi e anotei
só desconfio
que pouco aprendi
voltei no tempo
e reparei
nos espaços
vagos
e até nos lugares
preenchidos
ri ao me ver
chorando em
alguns monólogos
sem nem plateia
já faz tempo
compreendi
quando não se
sabe mais o que
fazer
é só dar tempo
é só dar espaço
que ele passa
descobri:
o segundo nome
do tempo
é vento
no segundo tempo
do jogo,
não vem a virada
vem calmaria
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Quem sou eu
- Carlos Augusto de Albuquerque
- Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.