sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Alma, voz e amor

Sua voz
tão mineira
era quase melodia
de festival

Sua
alma de
corpo inteiro

é leve
e densa

e tão
imensa
quanto um
sem fim de cafezal

seu amor
por mim
era maneiro

tão forte
e intenso
mas tão passageiro
feito
paixão de carnaval.

sábado, 16 de outubro de 2010

Será?

Dizer tudo o que se quer
faz parte da receita
para ser feliz?

Pensar bem
antes de falar
dá a certeza
de saber mesmo
o que se diz?

E ficar em silêncio?
É mesmo sinal
de sabedoria?
Em qualquer
situação?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Arquivo

Morri
porque
sabia demais
sobre mim mesmo

Não foi suicídio
foi queima de
arquivo

mas, o pior
é que antes
do terceiro dia,

descobri
que ainda estava vivo

Agora
só pedindo proteção
à polícia

mas, não
sei quem é mais perigoso:
o eu que me matou
ou o eu que ressuscitou.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A volta

Voltou.

Para rever,
abraçar,
olhar nos olhos,

pra contar
por onde andou

e por que fez isso
não fez aquilo

falar
por que não
voltou antes

por que só agora
e só depois
de parecer
que não viria mais

voltou
pra dizer
que mora na mesma casa
mas vai mudar

de vida
de rumos

voltou
e essa volta
mudou o meu dia

para sempre.

domingo, 12 de setembro de 2010

Como diria Dostoievsky

Lembranças
dos nossos erros
são mesmo
os piores castigos

até alguns
dos piores crimes
prescrevem

com o tempo

caem no esquecimento

escapam das punições

Mas, a memória
é o palco
onde tudo
se reencena

foi só um momento
foi um segundo
apenas

e mesmo
que o mundo
nem saiba

todo dia
cumprimos
a pena

vamos
e voltamos
livremente

mas a
cada instante
fantasmas
no salão escuro do júri
nos julgam
e nos condenam.

domingo, 5 de setembro de 2010

Segundo tempo

Abri espaço
e o tempo passou

mas sem essa
de que eu nem vi

vi e anotei

só desconfio
que pouco aprendi

voltei no tempo
e reparei
nos espaços
vagos

e até nos lugares
preenchidos

ri ao me ver
chorando em
alguns monólogos

sem nem plateia

já faz tempo
compreendi

quando não se
sabe mais o que
fazer

é só dar tempo
é só dar espaço
que ele passa

descobri:
o segundo nome
do tempo
é vento

no segundo tempo
do jogo,
não vem a virada

vem calmaria

O casal

Fizeram as pazes
mas mantiveram
a guerra

era difícil
mudar
o que um
achava do outro

era melhor
engavetar
essas opiniões

enxugar
a goteira de mágoas

embora
fosse impossível
impedir que voltasse
a chover

pequenas bombas
atômicas
volta e meia
explodiam

na cara deles

e assim
eram felizes

até que a
morte os
uniu
para sempre

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.