domingo, 5 de setembro de 2010

Segundo tempo

Abri espaço
e o tempo passou

mas sem essa
de que eu nem vi

vi e anotei

só desconfio
que pouco aprendi

voltei no tempo
e reparei
nos espaços
vagos

e até nos lugares
preenchidos

ri ao me ver
chorando em
alguns monólogos

sem nem plateia

já faz tempo
compreendi

quando não se
sabe mais o que
fazer

é só dar tempo
é só dar espaço
que ele passa

descobri:
o segundo nome
do tempo
é vento

no segundo tempo
do jogo,
não vem a virada

vem calmaria

O casal

Fizeram as pazes
mas mantiveram
a guerra

era difícil
mudar
o que um
achava do outro

era melhor
engavetar
essas opiniões

enxugar
a goteira de mágoas

embora
fosse impossível
impedir que voltasse
a chover

pequenas bombas
atômicas
volta e meia
explodiam

na cara deles

e assim
eram felizes

até que a
morte os
uniu
para sempre

sábado, 7 de agosto de 2010

Histórias de línguas

Percorrera mil léguas
de pergaminhos
em histórias
sem fim
algumas até sem começo

viera de mil línguas
distantes
sabia conjugações

era inimigo
das reiticências
sabia
a palavra
certa

depois dela
só caberia
o ponto final

chegara de língua
solta
contando tudo
meio pelas metades

verdades meio
inventadas
meio acontecidas

mas
as mentiras
essas sim
foram bem
vividas

contou
que por muito tempo
línguas estiveram presas
e por isso,
depois,
ficaram muito prosas

dissertou até
sobre a poética
de cada
fonema

e a fonética
de cada poema

falou
que escrever
é uma doença
crônica

e independe
do fato
data
pessoa
ou tema

revelou
que a insônia
em algum momento
se distrai
e prega os olhos

confessou
ler muito
para não ter
vocabulário anêmico

e não levar
as regras tão
a sério
porque a língua
é dinâmica

adora
a mecânica
da língua
na hora do beijo

e adverte
para a falta de caráter
da língua
capaz de discursos
messiânicos

e também de intrigas
e intervenções
diabólicas

terça-feira, 20 de julho de 2010

Meu amigo rio

Até mudei meu trajeto,
só pra passar perto do rio

não sei mergulhar
e ainda assim,
passeio nas profundezas

garimpar riquezas?
Não.

Quero aprender
com a gentileza do leito
onde adormeço meus pensamentos
e tropeço em pedras
fundamentais

converso com peixes
eles só respondem
com um nadar sem pressa

eu só pergunto,
porque o rio me inspira
a perguntar

águas que vêm de tanto lugar,
devem ter muito o que contar.

domingo, 18 de julho de 2010

Um nome

O seu nome
tem som de janela aberta
cheiro de você vindo
cor de noite bem dormida

O seu nome tem um i inglês
e i inglês não tem som de a
como dizem

tem som de ai
como se doesse

ai - um leve grito
ao ser chamado

Quando a gente
se fala
seu nome é tão bonito

letra por letra
seja o bendito nome
bem vindo
ao meu ouvido

Mas, ainda não sei
o que eu faço:
se me preparo
pra voar
ou se mergulho

Eu me divido
entre o passeio
e a longa viagem

Entre a leveza
e a profunidade

entre a epopeia
e o mini-conto

E quem decide isso
não sou eu
nem o nome
nem os números

quem escolhe
o ritmo
são os movimentos
cardíacos

e no momento
eles são intensos
inúmeros

O pastor (e as ovelhas)

Era um pastor
e não sabia nada de ovelhas

pastoreava orvalhos

passava a noite em claro
à espera de ver
uma folha suar frio

ao amanhecer,
conduzia as ovelhas
para onde elas tinham
de ir

ele ia pastoreando
os pensamentos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O que será?

Ainda não sei
o que pode ser
mas seja o que for
já é

Quem sou eu

Minha foto
Na rádio, sou o narrador de futebol, Carlos Augusto. Na TV, sou o repórter e apresentador Carlos Albuquerque. Aqui, neste blog, pretendo resolver essa "crise de identidade" e juntar os dois "Carlos"! Mas, no fundo, sou aprendiz, eternamente aprendiz! Sou filho da terra, de todas as terras que formam o planeta, de todas as substâncias que formam o universo. Sou irmão de todos os seres. Sou o pai da Luíza.